Fabio Motta|Estadão
Fabio Motta|Estadão

PMDB do Rio tenta se afastar de imagem negativa

Mesmo distante de líderes no Estado, caso já foi usado para atingir candidato do partido na disputa municipal

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2016 | 05h10

RIO - Filiado desde 2003, quando chegou ao PMDB com o ex-governador Anthony Garotinho, antigo aliado e hoje inimigo, Eduardo Cunha fez carreira na Câmara sem depender dos principais líderes do partido no Estado. Garotinho deixou o PMDB em 2009, por divergências com o então governador Sérgio Cabral, de quem o ex-presidente da Câmara nunca foi próximo.

Embora acumule votações expressivas, Cunha também não tem ligação estreita com o presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, nem com o prefeito Eduardo Paes.

O distanciamento, porém, não é motivo para que os peemedebistas do Rio deixem de se preocupar com a derrocada de Cunha, pois compromete a imagem do partido em plena campanha eleitoral. No último debate eleitoral, na sexta-feira, os adversários do candidato peemedebista à prefeitura do Rio, Pedro Paulo, destacaram o PMDB como “partido de Cunha”. Foi calculada, portanto, a decisão do candidato, que é deputado, de viajar a Brasília para votar pela cassação do companheiro de partido.

“O PMDB do Rio não marcha com Cunha, mas em algum momento o deputado fez bem para o PMDB do Rio”, disse o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, para quem o partido é grande para ser reduzido a “partido de Cunha”.

Votação expressiva. Terceiro deputado federal mais votado no Rio e primeiro colocado do PMDB em 2014, com 232,7 mil votos, Cunha sempre teve uma rede própria de arrecadação de recursos de campanha e, nas eleições, fazia dobradinhas com candidatos a deputado estadual de forma independente. Sequer participou da campanha de reeleição de Cabral, em 2010. Cunha cresceu no parlamento aliado a líderes como Michel Temer, Henrique Alves, ex-presidente da Câmara e ex-ministro, e Eliseu Padilha, atual chefe da Casa Civil.

A aproximação do PMDB-RJ com Cunha só aconteceu no fim de 2014, quando Cabral, Paes, Picciani e o governador Luiz Fernando Pezão, afastado para tratamento médico, se uniram na campanha para elegê-lo presidente da Câmara. Para o PMDB-RJ, chegar ao comando da Câmara era vitrine importante, depois de Cabral deixar o governo com alto índice de rejeição e imagem desgastada pelas manifestações de 2013.

Em poucos meses, porém, Cunha rompeu com o governo de Dilma Rousseff, que tinha no PMDB fluminense seu maior aliado. Líderes peemedebistas lembram que o então presidente da Câmara não ouvia os conselhos para que não abrisse tantas frentes de batalha. “Não adiantava dizer que ele precisava ir mais devagar, ele simplesmente não dava atenção”, lembra um peemedebista sob condição de anonimato.

Os dirigentes do partido evitam falar em prejuízos pela cassação de Cunha. “Estou cuidando das eleições”, disse Picciani.

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