Andre Dusek/Estadão
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PMDB do Rio mede forças com Temer

Fortalecido, diretório fluminense almeja mais influência sobre a direção nacional e articula retirar o vice-presidente do comando do partido

Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

14 Fevereiro 2015 | 23h00

Brasília - No comando do Estado e da prefeitura do Rio de Janeiro e agora fortalecido com os deputados Eduardo Cunha na presidência da Câmara e Leonardo Picciani na liderança da bancada, o PMDB fluminense passou a ser peça-chave na política nacional. 

Com as conquistas recentes, o grupo almeja mais influência sobre a direção nacional do partido. Em uma articulação com o PMDB do Senado, planejam retirar da presidência da legenda o vice-presidente Michel Temer, cujo mandato interno termina em março de 2016. 

A operação foi percebida no círculo próximo a Temer. Tanto que ele operou para que Picciani não vencesse a disputa ocorrida na quarta-feira. Seu candidato era Lúcio Vieira Lima (BA), que acabou derrotado por apenas um voto. O novo líder é filho de Jorge Picciani, presidente do PMDB fluminense e da Assembleia Legislativa, e teve a seu favor as máquinas do Estado e da prefeitura. O prefeito carioca, Eduardo Paes, nomeou dois secretários municipais “tampões” para que suplentes do PMDB assumissem seus mandatos e votassem em Picciani.

O deputado Sérgio Zveiter (PSD) ocupou por apenas quatro dias a Secretaria de Coordenação de Governo e abriu vaga para o peemedebista Marquinho Mendes exercer o mandato de deputado e votar no líder eleito. Alexandre Serfiotis (PSD) foi secretário Especial de Promoção e Defesa dos Animais da cidade do Rio também por quatro dias. Sua licença abriu espaço para que Celso Jacob (PMDB) participasse do pleito e garantisse outro voto a Picciani. 

Além disso, os peemedebistas do Senado também mobilizaram deputados de seus Estados em favor de Picciani. Juntaram forças com o PMDB do Rio porque têm a avaliação de que o comando nacional do partido é incompatível com a vice-presidência da República. Ainda mais em um momento em que a sigla busca uma agenda própria descolada à do governo, uma atuação parlamentar independente e planeja uma candidatura presidencial em 2018. 

“O PMDB do Rio defende o fortalecimento do PMDB nacional, para que possamos em 2018 ter candidato a presidente da República”, afirmou Jorge Picciani. Para o presidente do PMDB fluminense, Temer “perde consistência e prestígio” quando se preocupa em nomear para o ministério “companheiros sem voto”, como Wagner Rossi (ex-ministro da Agricultura) e Moreira Franco (ex-titular da Aviação Civil). 

“Espero que o Michel corrija os seus equívocos. Se ele não fizer isso, vai ser natural a disputa interna e vamos buscar um candidato melhor para presidir o partido”, afirmou Jorge Picciani.

Procurado, Eduardo Cunha negou que exista um movimento no diretório fluminense pela saída de Temer. “Eu defendo a aliança com o Michel, não vejo espaço para alguém contestá-lo em 2016 e não aceito isso”, disse. “O Rio de Janeiro não terá a presidência do PMDB.”

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