PMDB do Espírito Santo é contra impeachment do governador

A direção do PMDB no Espírito Santo vai pedir que seus deputados votem contra o relatório da Comissão Especial da Assembléia Legislativa que recomenda o impeachment do governador José Ignácio Ferreira (sem partido). Na votação que deve ocorrer na sexta-feira, o pedido tem que ser aprovado por dois terços dos deputados (20 dos 30 parlamentares) para o processo continuar. O PMDB tem cinco votos.Na semana passada, o governador convidou vários deputados para almoçar e, segundo a oposição, pelo menos 13 parlamentares já prometeram seu voto a Ferreira. O PSDB nacional está pressionando seus deputados a votarem pelo impeachment, mas dos sete membros da bancada, quatro também estariam a favor do governador.Ferreira é acusado em um esquema de corrupção, cobrança de propinas e troca de favores com empresários locais. Os organizadores do esquema seriam a primeira-dama, Maria Helena Ferreira, e seu irmão Gentil Ruy. A mulher e o cunhado do governador (que já está preso) constam na lista de sugestões de indiciamentos da CPI da Propina, que foi enviada ao Ministério Público na semana passada.A decisão do PMDB foi tomada hoje durante uma reunião do presidente do partido, deputado Luiz Carlos Moreira, com outros dois membros da bancada (Sergio Borges e Toninho de Freitas). Os outros dois deputados do partido não compareceram à discussão.Segundo a assessoria de imprensa do PMDB, o partido apóia o relatório final da CPI da Propina e, como o documento não recomenda o impeachment, o pedido não deve ser aceito pelos membros do partido.Hoje, a Assembléia realizou uma audiência pública com prefeitos e secretários do governo estadual para discutir o impeachment. Cerca de 50 prefeitos compareceram e a maioria se manifestou a favor do governador. Alguns admitiram que eram contra o afastamento de Ferreira porque têm medo de seus possíveis sucessores, o vice-governador, Celso Vasconcellos, e o presidente da Assembléia, José Carlos Gratz. O vice também teve seu nome envolvido do escândalo do governador, e o presidente da Assembléia responde a vários processos na Justiça, entre eles homicídio e corrupção.

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