PMDB dissidente mantém influência na Caixa Econômica

Afilhado de Geddel, que vai disputar o Senado em chapa da Bahia que apoia Aécio, vai ocupar cargo de dirigente no banco

Murilo Rodrigues Alves e Victor Martins , O Estado de S. Paulo

17 Junho 2014 | 20h41

Brasília - A presidente Dilma Rousseff decidiu agradar a ala dissidente do PMDB uma semana após o grupo impor uma vitória apertada pelo apoio à reeleição, em convenção partidária. Um dos dissidentes peemedebista, o ex-ministro baiano Geddel Vieira Lima, pôde dar aval a uma indicação para uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal.

Roberto Derziê, cujo nome foi publicado desta terça-feira, 17, em edição do Diário Oficial da União (DOU), ocupará a área de operações corporativas no lugar de Paulo Roberto dos Santos.

Funcionário de carreira há mais de 20 anos, Derziê chegou a substituir o próprio Geddel interinamente, em outra vice-presidência. O peemedebista deixou o cargo em dezembro, para disputar o Senado pela Bahia em uma chapa que vai apoiar o tucano Aécio Neves na disputa presidencial.

Dilma, no entanto, não efetivou Derziê nesse cargo. Preferiu acomodar o PTB, em troca do apoio do partido à reeleição. A sigla que já foi presidida por Roberto Jefferson, delator do mensalão condenado pelo Supremo Tribunal Federal, indicou o primeiro-tesoureiro da sigla, Luiz Rondon Teixeira de Magalhães Filho.

Como o Estado na época dessa nomeação, em maio, a Executiva Nacional do PMDB reclamou e, desde então, o governo articulou uma estratégia para contemplar o partido com outra vice-presidência.

A nomeação de Derziê, porém, veio só após a convenção na qual 59,13% dos peemedebistas votaram pela aliança com o PT e quase 41% se posicionou contra a reeleição de Dilma. O resultado foi considerado apertado e refletem o descaso das bases do PMDB com a campanha da presidente. A Bahia de Geddel foi um dos Estados que, segundo a cúpula do partido, votou contra a aliança. Ele nega.

Os dissidentes do PMDB alegam que Dilma excluiu a legenda das decisões de governo durante o mandato. Além disso, afirmam que o PT deu prioridade a candidaturas próprias nos Estados para ampliar suas bancadas no Congresso e minimizar a influência do partido no Legislativo.

Indicação. Derziê se aproximou do PMDB por meio de Moreira Franco, quando o hoje ministro da Secretaria de Aviação Civil ocupou a vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias da Caixa. Com seu apoio, Derziê assumiu a Superintendência Nacional de Loterias em outubro de 2007. Em junho de 2011, Moreira Franco sugeriu o nome dele para Geddel, que na época era vice-presidente de Pessoa Jurídica e procurava alguém de confiança e que entendesse bem do funcionamento da instituição para ocupar a diretoria executiva da sua vice-presidência. “Conheci Derziê nessa época. É um excelente profissional”, disse Geddel.

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