PMDB deve votar a favor de redução de tarifa de energia

A executiva nacional do PMDB decidiu fechar nesta segunda-feira (10), depois de uma reunião tensa, apoio à aprovação da Medida Provisória 579 que prevê redução das tarifas de energia elétrica para empresas e consumidores a partir do ano que vem. A cúpula do partido aprovou por unanimidade a MP após enquadrar o deputado federal Eduardo Cunha (RJ), indicado como relator revisor da Comissão mista que analisará a medida. Ele chegou a avisar aos líderes da legenda que não iria aprovar o texto do governo.

LEONÊNCIO NOSSA, Agência Estado

10 de dezembro de 2012 | 19h01

Na reunião na liderança do PMDB na Câmara, os senadores Renan Calheiros (AL), Eunício Oliveira (CE), Valdir Raupp (RO) e Romero Jucá (RR) disseram a Eduardo Cunha que a MP seria aprovada pelas bancadas do partido no Congresso. Ligado a setores da área de energia elétrica, Cunha alegou posições "pessoais" contra a redução da energia. "Ninguém é louco de não apoiar redução de conta de luz", reagiu um parlamentar.

Após a reunião, Raupp, presidente interino do partido, leu uma nota à imprensa deixando claro que a executiva aprovava por "unanimidade" a decisão de fechar questão a favor da MP, sem consulta formal às bancadas - deputados e senadores já tinham dito em conversas no fim de semana que aprovavam a medida. "O PMDB não abre mão de reduzir a conta de luz de todos os brasileiros", destacava o comunicado lido por Raupp.

"A diminuição das tarifas de energia é importante para o consumidor", disse Calheiros, também em entrevista. "O erro foi o Henrique (Henrique Eduardo Alves, do PMDB do Rio Grande do Norte) indicar como relator revisor o Eduardo Cunha, com interesses no setor elétrico", disse um líder peemedebista.

Na última quinta-feira, Calheiros e o vice-presidente Michel Temer ouviram Eduardo Cunha dizer que não aceitaria a imposição do partido. O tom de voz e a contundência nas palavras irritaram Temer. Na reunião desta segunda, os líderes do PMDB disseram que não iriam abrir mão da "chance" de apoiar a MP, sugerindo que a medida era mais que uma bandeira "eleitoral", mas uma bandeira da vida "real".

Um dos senadores chegou a lembrar que o estatuto do partido previa até o desligamento do parlamentar que se posicionasse contra a executiva em votações abertas, como será o caso da Medida Provisória. "O PMDB tem obrigação, com seus dois relatores, de dividir com a presidente Dilma Rousseff o privilégio de reduzir a conta de luz das pessoas físicas e das empresas que geram emprego", disse Eunício Oliveira. "Nesta questão, o PMDB não pode ter discordância."

Na comissão que irá analisar a MP, o deputado Jilmar Tatto (PT-SP) foi eleito presidente, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi escolhido como relator e o deputado federal Eduardo Cunha (RJ) indicado como relator revisor.

Tudo o que sabemos sobre:
elétricasMPPMDB

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.