PMDB deve manter domínio sobre seis ministérios no governo Dilma

Eventual confirmação de Sérgio Côrtes no Ministério da Saúde será interpretada pelo PMDB como vitória pessoal do governador do Rio, Sérgio Cabral

Andrea Jubé Vianna, Agência Estado

30 de novembro de 2010 | 12h38

O PMDB deve manter no futuro governo Dilma Rousseff o mesmo espaço na Esplanada que lhe foi delegado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A sigla deve continuar com seis ministérios, embora a cúpula partidária não considere as pastas da Defesa e da Saúde como fatias de seu território.

 

A reivindicação oficial do PMDB, apresentada a Dilma pelo presidente da sigla e vice-presidente eleito, Michel Temer, nesta manhã, compreende o comando de quatro ministérios: dois para a bancada da Câmara e dois para a do Senado, nos moldes em vigor no governo Lula.

 

Uma fonte ligada à cúpula peemedebista afirmou à Agência Estado que a demanda se legitima pelo tamanho do partido: é a maior bancada do Senado e a segunda maior da Câmara. "O partido tem que se sentir representado no ministério para garantir a estabilidade política no Congresso", defendeu.

 

Da cota de Cabral

 

A eventual confirmação do secretário de Saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Côrtes, no Ministério da Saúde, será interpretada pelo PMDB como vitória pessoal do governador do Estado, Sérgio Cabral, e não da cúpula partidária. Aliás, lideranças do partido sempre consideraram o titular da pasta, José Gomes Temporão, um nome da cota pessoal de Cabral.

 

Os laços estreitos de Sérgio Cabral com Dilma e Lula devem garantir a ele a vitória em mais um embate com a cúpula peemedebista: ele deve barrar eventual indicação do ex-governador do Rio Moreira Franco para assumir um ministério. Na atual bolsa de apostas, ele assumiria a pasta das Cidades, que seria retirada do PP.

 

Moreira Franco seria uma indicação do presidente do PMDB, pois ele foi um dos interlocutores mais próximos de Temer durante a campanha e participou da elaboração do plano de governo de Dilma. No entanto, Cabral vê como ameaça a eventual ressurreição de Franco como liderança política no Rio. Por isso, o mais provável é que o ex-governador não seja agraciado com um ministério.

 

A pasta da Defesa deve seguir sob o comando de Nelson Jobim, conforme desejo do presidente Lula. Da mesma forma, Jobim não entra na contabilidade da cúpula do PMDB, mas como um nome da cota de Lula e Dilma.

 

PMDB do Senado e da Câmara

 

Se retirar a pasta das Comunicações da cota do PMDB do Senado, o partido espera ser compensado. Uma das demandas é o Ministério dos Transportes para o senador eleito Eduardo Braga (AM), em represália ao antigo titular da pasta, Alfredo Nascimento (PR-AM), principal adversário de Braga no Estado.

 

O outro nome do PMDB do Senado para a Esplanada dos Ministérios é o do senador reeleito Edison Lobão (MA). A indicação é da cota pessoal de Sarney, que deseja ver o aliado reconduzido para o Ministério de Minas e Energia - uma pasta estratégica diante do iminente começo de exploração do petróleo na camada pré-sal.

 

As indicações da bancada da Câmara são a continuidade de Wagner Rossi no Ministério da Agricultura e o deputado piauiense Marcelo Castro para a pasta da Integração Nacional, esta cobiçada pelo PSB.

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