PMDB desafia governo e assina CPI da Petrobrás

Mais da metade dos deputados do partido, em rota de colisão com o Planalto, assinou pedido para abertura de investigação sobre negócios da estatal

atualizado em 24.05 às 9h, Ricardo Brito - Agência Estado

23 de maio de 2013 | 19h53

Em mais uma demonstração de rebeldia em relação ao Palácio do Planalto, a bancada do PMDB na Câmara dos Deputados teve papel destacado na articulação que levou à apresentação, ontem, de um pedido de criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar irregularidades na Petrobrás. Das 199 assinaturas apresentadas, os deputados do PMDB foram os responsáveis pelo maior apoio entre os partidos, com 52 nomes.

 

Ao todo, 63% dos 82 parlamentares da bancada do partido subscreveram o pedido. Comandados pelo líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), os peemedebistas estão em rota de colisão com o governo desde a Medida Provisória (MP) dos Portos, aprovada na Casa na semana passada. Eduardo Cunha, contudo, não assinou o pedido para criação da CPI da Petrobrás.

 

A articulação para abrir a CPI ocorre dois dias depois de um jantar no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente da República e presidente de honra do PMDB, Michel Temer, em que governadores do partido desfiaram um rosário de críticas à aliança com o PT de Dilma Rousseff. Convidada, a presidente não foi ao encontro.

 

O presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), mostrou-se surpreso com a adesão em massa do partido ao pedido de abertura de CPI. Raupp, no entanto, não quis dizer se vai trabalhar pela retirada das assinaturas do PMDB do pedido.

 

São necessárias pelo menos 171 assinaturas para se criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Mas até a sua instalação, elas podem ser retiradas, e a CPI não ser aberta.

 

Na prática, a comissão - que tem na mira apurar a venda de ativos da estatal no exterior - não deve prosperar. Há uma fila de mais de 10 pedidos de criação de CPI na frente do pedido de investigação da Petrobrás.

 

O deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), um dos autores do pedido, negou que o objetivo da comissão parlamentar seja retaliar o governo. "A Petrobrás está conduzindo essas operações de uma maneira muito truculenta, e isso é lesivo aos acionistas", declarou o parlamentar. Ele defende que, por "interesse nacional", a abertura da CPI da Petrobrás passe na frente das demais.

 

Cortes. Um cacique peemedebista da Câmara, que pediu para falar reservadamente, disse que o pedido para a abertura da comissão tem como objetivo mandar um recado ao governo. "É mais uma demonstração de insatisfação da base", afirmou o deputado do PMDB.

 

O parlamentar disse também que a queixa dos deputados tem a ver com o corte de R$ 27 bilhões no orçamento anunciado nesta semana. Segundo esse deputado peemedebista, os ministérios do Turismo e da Agricultura, comandado pelos correligionários Gastão Vieira e Antônio Andrade, tiveram um corte respectivamente de 76% e 46%. Mas pastas comandadas pelo PT, disse, teriam sido preservadas da tesourada. "Como é que vamos segurar a base, se você não a atende?", questionou o peemedebista.

 

Leonardo Quintão disse ainda que pretende procurar os parlamentares que assinaram o pedido de criação da CPI com o objetivo de fustigar a estatal, menina dos olhos de Dilma.

 

Interesses. A relação do governo com o PMDB azedou na semana passada com as tentativas de Cunha de fazer mudanças contrárias aos interesses da presidente na votação na Câmara da MP dos Portos.

 

Nesta semana, a bancada do PMDB também reagiu à tentativa do governo de enquadrar Cunha e de barrar a reforma fiscal que está no Congresso. Os peemedebistas promoveram uma manobra regimental para garantir que o líder do partido na Câmara continuasse no comando das negociações.

 

 

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