PMDB demonstra apoio à candidato do PT na Câmara

Depois de uma conversa com os interlocutores políticos do governo Dilma Rousseff, o PMDB fez um gesto público para mostrar compromisso com a candidatura do deputado Marco Maia (PT-RS) para a presidência da Câmara. Com a relação entre os dois partidos abalada desde a crise pela distribuição de cargos no segundo escalão do governo, a presença do vice-presidente da República e presidente licenciado do PMDB, Michel Temer, e do líder da bancada na Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), em encontro na tarde de hoje com Maia e o comando da campanha foi interpretada pelos petistas como o "engajamento do partido" na eleição.

DENISE MADUEÑO, Agência Estado

11 de janeiro de 2011 | 18h04

"Hoje foi selada a paz para a eleição de Marco Maia", afirmou o futuro líder do PT, Paulo Teixeira (SP). "A operação-governo foi pela manhã e a operação-Legislativo, à tarde", resumiu o deputado Odair Cunha (PT-MG), também presente na reunião. "O objetivo desse almoço foi revigorar a relação do PT com o PMDB e acabar de uma vez por todas a impressão de que há uma crise", completou Cunha.

Antes de se encontrar com Maia e os petistas, Michel Temer e Henrique Alves se reuniram com os ministros Antonio Palocci (Casa Civil) e Luiz Sérgio (Relações Institucionais) no Palácio do Planalto. Na saída do encontro com Maia, Alves não fez reclamações sobre cargos, ao contrário do último encontro com o petista, e afirmou que o PMDB está na campanha do petista.

O líder peemedebista reduziu as ameaças e as queixas que ele mesmo havia feito na semana em que teve seus indicados políticos substituídos no Ministério da Saúde pelo ministro petista, Alexandre Padilha, para dizer que os deputados da bancada não causarão problemas. "É natural que tenha insatisfação, mas não tem nada que seja irreversível", disse, na saída do encontro com os petistas, na residência oficial da presidência da Câmara.

O PMDB prometeu, segundo contou Paulo Teixeira, abortar a formação de um bloco parlamentar do partido com outras legendas da base (PP, PR, PTB e PSC). Esse blocão poderia chegar a 202 deputados, minando a força do PT - partido que elegeu a maior bancada, com 88 deputados - e dificultando as negociações futuras da presidente Dilma Rousseff com a Câmara.

Na reunião de hoje, peemedebistas e petistas fizeram uma checagem de nome por nome da bancada peemedebista para identificar possíveis dissidentes na eleição para a presidência da Câmara no dia 1º de fevereiro. Também montaram uma agenda de reuniões de Maia com deputados nos Estados. As primeiras serão no Paraná e em Santa Catarina, Estados governados por partidos de oposição, PSDB e DEM, respectivamente, na próxima quinta-feira.

Os dois partidos anunciaram apoio a Maia, depois que o petista prometeu cumprir a proporcionalidade para a distribuição dos cargos na Mesa da Casa. Por essa regra, os cargos são ocupados pelos partidos de acordo com o tamanho da bancada. O PSDB, por exemplo, poderá ficar com a primeira vice-presidência ou a primeira secretaria, dependendo da escolha do PMDB, segundo maior partido na Câmara. Depois do Paraná e de Santa Catarina, ocorrerão encontros no Rio de Janeiro e na Bahia. No dia 20, será a vez do Rio Grande do Sul.

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