PMDB deflagra corrida para sucessão no Senado

Partido briga para manter presidência; Garibaldi Alves e José Sarney estão cotados para disputar cargo

Christiane Samarco e Cida Fontes, O Estadao de S.Paulo

16 de outubro de 2007 | 00h00

Preocupado com o vácuo de poder provocado pelo licenciamento de Renan Calheiros (PMDB-AL)da presidência do Senado, o PMDB desencadeou o processo sucessório e já avisou que quer a cadeira. "Não estamos discutindo sucessão agora, mas acho difícil a bancada do PMDB abrir mão do cargo", afirmou o líder do partido, senador Valdir Raupp (RO).A articulação começou no mesmo dia em que o presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), leu o pedido de licença por 45 dias, confirmando a decisão anunciada pelo próprio senador alagoano, em comunicado na TV Senado, na quinta-feira. Muitos supunham que Renan pudesse até mesmo renunciar à presidência."Em princípio, o partido não admite perder o cargo", destaca o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), ele próprio apontado como opção para suceder Renan. "O problema do PMDB é formar o consenso", admite."O PT terá de ter muito juízo, calma e tranqüilidade. A disputa não pode contaminar o clima de normalidade", pregou a líder petista Ideli Salvatti (SC), sem dissimular a preocupação do governo com a prorrogação da Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF). Ela diz que a prioridade do Senado, agora, é pacificar o ambiente.Embora reconheça que a sucessão está na pauta, a líder do PT alerta que é preciso adiar a discussão, sob pena de se pôr tudo a perder. "Essa discussão pode atropelar todo o resto e nada vai andar no Senado", advertiu.SOLUÇÃO PROVISÓRIANas conversas telefônicas que teve com líderes de oposição, nas últimas 48 horas, Viana foi bem recebido como uma solução tampão. "Você pode ficar seguro de que farei tudo que estiver a meu alcance para recompor o Senado e sarar as feridas", disse o petista ao tucano Sérgio Guerra (PE). "Estou disposto ao entendimento, para desarmar a Casa", ponderou Viana, em seguida, a Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), mesmo sabendo que o peemedebista é uma alternativa da oposição para tomar do governo o comando do Congresso.Linha de frente da campanha em favor da candidatura de Pedro Simon (PMDB-RS), o senador Gerson Camata (PMDB-ES) disse ontem que o nome do gaúcho serve não só ao partido e ao Senado, como também ao governo. "Ele não fará negociatas com o Planalto", justifica.Tanto Camata quanto o líder Raupp avaliam que o mais forte candidato do PMDB é o senador José Sarney (AP). "Mas Sarney só aceitaria o cargo se fosse unanimidade no partido e na base governista", diz Camata, ao salientar que, nesse momento, só há consenso em torno de uma coisa: a inconveniência da volta de Renan. "Só a ameaça de Renan voltar já atrapalha o Senado.""Vai-se procurar um agregador", aposta o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), ao frisar que, tirando o fato de ser do PT, Viana tem como ponto favorável a capacidade de agregar forças.

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