PMDB decide dar trégua a Temporão

Legenda aceita indicação do ministro para Secretaria de Atenção à Saúde

Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

24 Julho 2008 | 00h00

Depois da tentativa de rifar o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a cúpula do PMDB fez um recuo estratégico. Para provar que o partido vai dar uma trégua ao ministro, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disseram ontem ao ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que aceitam o nome sugerido por Temporão para ocupar a Secretaria de Atenção à Saúde.O PT reivindica o cargo para o secretário municipal de Saúde de Belo Horizonte, Helvécio Magalhães, e o PMDB estava, mais uma vez, dividido em várias alas que cobiçavam o mesmo posto. Acusações de fisiologismo, no entanto, fizeram a sigla apoiar a indicação de Temporão: trata-se de Alberto Beltrame, atual diretor do Departamento de Atenção Especializada do Ministério da Saúde.O presidente Lula ainda não bateu o martelo sobre o assunto, mas, no Planalto, o cargo é visto como "da cota do PMDB", apesar do apetite petista. "O PT já tem muitas árvores frondosas. Cada macaco no seu galho", provocou Eduardo Alves. "A indicação do PMDB será a mesma do ministro. Vamos fumar o cachimbo da paz na saúde, pois queremos dar fôlego novo para Temporão tocar sua obra." José Carvalho de Noronha, que ocupou a secretaria até a semana passada, deixou o cargo por divergências com o ministro sobre o tratamento dado ao PMDB. Temporão foi criticado dentro de seu partido por não liberar emendas parlamentares e se recusar a distribuir cargos em diretorias de hospitais. "O ministro está representando o partido e precisa compartilhar projetos", disse Noronha, em entrevista ao Estado.A fritura política de Temporão começou há mais de um mês dentro do PMDB e foi endossada por quase todas as legendas da base aliada. A preocupação com seu desempenho chegou ao Planalto. Em conversas reservadas, a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apontou problemas de gestão na pasta. E Lula mandou recado a Temporão: disse que ele deve terminar todos os projetos antes de iniciar outros. Desde que assumiu, em março de 2007, o ministro comprou várias brigas - da defesa do aborto à tentativa de restringir a propaganda de cerveja.

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