PMDB decide concorrer à Câmara e Temer pode ser candidato

Os deputados do PMDB decidiram nesta quarta-feira disputar a presidência da Câmara, menos de 24 horas depois de o PT ter lançado a candidatura do líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). O partido integra a coalizão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo mandato. A bancada peemedebista resolveu reagir inconformada com a "fome" do PT que, além de "atropelar" a maioria peemedebista, ignorou a proposta de coalizão de governo. Além disso os deputados estão revoltados com a "gulodice" dos senadores do PMDB, que abocanharam praticamente todos os cargos ofertados ao partido no governo Lula. Foi marcada uma reunião na próxima terça-feira para decidir quem será o candidato. A novidade nesta quarta foi o surgimento de uma terceira opção na bancada. Além do baiano Geddel Vieira Lima e do cearense Eunício Oliveira, vários deputados também colocaram o nome do atual presidente nacional do partido, Michel Temer (SP). Como já presidiu a Câmara no governo Fernando Henrique Cardoso, dirigentes peemedebistas avaliam que Temer é a alternativa mais forte porque pode agregar mais votos na oposição e também na base aliada. No entanto, Temer limitou-se a lembrar que apenas os nomes de Geddel e Eunício estavam colocados. "O que foi decidido é que a escolha cabe à bancada e o nome que a bancada escolher terá meu aplauso", resumiu Eunício. "O presidente Michel é um nome que pode ser aclamado pela bancada. É um grande nome e eu jamais teria a ousadia de disputar com ele", reagiu Geddel, ao reafirmar que só colocaria seu nome a exame da bancada se fosse candidato do consenso, com o apoio do Palácio do Planalto. Ele também descarta a hipótese de disputar com o PT. "A base aliada não pode chegar com dois candidatos no plenário", argumentou. Como o mandato de Temer na presidência do partido termina em abril e ele também já havia sido cogitado para permanecer no posto, a alternativa de levá-lo à presidência da Câmara é vista por setores do partido como uma forma de abrir o comando partidário ao ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim (RS), que tem a preferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Questionado na véspera sobre a candidatura, Jobim confirmara sua disposição de comandar a legenda. Dirigentes do partido destacaram, no entanto, que "nada é automático". Nem mesmo uma candidatura "patrocinada" pelo Planalto. Se quiser presidir o partido Jobim terá de conquistar votos. Os deputados decidiram fazer um segundo encontro para tratar da sucessão na Câmara com o objetivo de incluir os deputados recém eleitos na escolha do candidato. Dos 89 peemedebistas que saíram das urnas e irão votar no próximo presidente da Câmara, apenas 57 são deputados reeleitos. Como não seria conveniente excluir os 32 novatos do processo interno de escolha do candidato, todos serão convidados a vir a Brasília na semana que vem. PT errou Na reunião fechada, vários peemedebistas avaliaram que o PT cometeu um "erro grave", ao lançar Chinaglia na corrida sucessória sem consultar nem sequer avisar previamente o PMDB. Neste cenário, o debate de ontem foi marcado por reclamações de peemedebistas contra o comportamento do PT em Brasília e nos Estados. "Eles gostam muito de ser votados pelo PMDB, mas não gostam de votar na gente", queixou-se o deputado Marcelo Castro (PI). Na mesma linha, o deputado Osmar Terra (RS) lembrou que o PMDB havia lançado a pré-candidatura do deputado Osmar Serraglio (PR) à vaga de ministro do TCU, o que também foi ignorado pelo PT, que entrou na briga com candidato próprio. Também foram incontáveis as queixas por conta da interlocução "exclusiva" do Senado com o Planalto. Para mostrar o apetite dos senadores do PMDB, Marcelo Castro chegou a listar mais de 20 cargos importantes do primeiro e segundo escalão federal, todos dirigidos por apadrinhados do PMDB do Senado. "Dizem que a Eletronorte é do Senado/Jader (Barbalho, deputado pelo Pará)", contabilizou Castro, para completar. "Jader é deputado, mas já foi senador e continua com pose de senador. Está na vez de a Câmara indicar alguém".

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