PMDB decide apoiar Chinaglia à presidência da Câmara

O PMDB por maioria dos votos (46 a 11) decidiu nesta terça-feira pelo apoio à candidatura do líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e não ao atual presidente da Casa, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). O presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), comunicou oficialmente a decisão a Chinaglia (PT-SP), que fez questão de comparecer pessoalmente à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde foi realizada a reunião.Votaram 64 peemedebistas, de um total de 90. De acordo com o resultado final apurado, Chinaglia recebeu 46 votos, e o outro candidato, deputado Aldo Rebelo, atual presidente da Câmara, ficou com 11. Outros seis peemedebistas votaram a favor do lançamento de um terceiro candidato, e houve um voto em branco. De acordo com regra estabelecida no início da reunião, os que não votaram em Chinaglia concordaram em apoiar a candidatura dele. Na reunião, também ficou decidido que o PMDB não terá candidato próprio na disputa, a chamada terceira via, como tentou articular um grupo de parlamentares esta semana.Segundo os primeiros peemedebistas que saíram da reunião, Chinaglia seria o escolhido. "Vai dar Arlindo por ampla maioria", afirmou o governador de Santa Catarina, Luis Henrique. "Vai dar Chinaglia na razão de 3 para 1", apostava o deputado Mendes Ribeiro (RS), fazendo previsão do resultado da votação. Para Mendes Ribeiro, o favoritismo de Chinaglia se explica pela proposta do PT de oferecer ao PMDB apoio para que assuma a presidência da Câmara a partir de 2009. "Temos o compromisso do PT. O PMDB só não terá a presidência da Casa se for traído pelo PT", afirmou o deputado gaúcho. Escaldados na tradicional divisão do partido, os peemedebistas decidiram em votação que a minoria teria que acompanhar a decisão da maioria sobre o candidato à presidência da Câmara.Tarso GenroPara o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, a decisão do PMDB deve influenciar os demais partidos. Ele também admitiu que a disputa pelo comando da Câmara entre os deputados Aldo e Chinaglia deverá chegar ao plenário, no dia 1º de fevereiro. De nada adiantaram as tentativas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de ministros, nas últimas semanas, para evitar que os dois candidatos estendessem a disputa. Lula, desde o início, sempre demonstrou preferência por Aldo, mas evitou barrar a candidatura de Chinaglia. O ministro fez questão de negar que o palácio trabalhe pela candidatura de Aldo. Também disse não ver a mão do ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu no lançamento da candidatura petista, rebatendo afirmação do deputado Raul Jungmann.Em entrevista no Palácio do Planalto, Tarso disse que, sem a desistência de um dos dois aliados, a preocupação agora do governo é evitar a repetição da "síndrome Severino", uma referência à derrota do palácio, em 2005, quando o ex-líder do baixo clero surpreendeu o governo e venceu a disputa pelo comando da Câmara. Na noite da última segunda-feira, Tarso se reuniu com os presidentes dos 11 partidos da base de coalizão do governo, que contam com cerca de 350 dos 513 deputados para ouvir a opinião deles sobre a sucessão na Câmara. "Reiterei a eles que, em nenhum momento, havia manifestado preferência qualitativa por qualquer dos nomes e interferido na decisão dos partidos", disse. Tarso não desmentiu nem confirmou notícia de que, na reunião, Chinaglia tinha 70% da preferência no placar feito pelos presidentes dos partidos. Além do PMDB e do PT, a base do governo é formada por PSC, PSB, PCdoB, PP, PR, PV, PDT, PTB e PRB. Colaboraram Christiane Samarco e Leonencio NossaEste texto foi alterado às 19h26 para acréscimo e correção de informação. Estavam presentes na reunião 64 deputados do PMDB e não 77, como havia sido publicado

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