PMDB de Minas negocia alianças para viabilizar Costa e pressionar PT

A seis dias das prévias petistas no Estado, partido aliado ensaia acordo que pode dar a vice para o PDT

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2010 | 16h24

BELO HORIZONTE - Para pressionar o PT, o PMDB mineiro decidiu avançar nas articulações com outros partidos visando à composição da chapa majoritária em Minas. Irritados com a disputa entre os pré-candidatos Fernando Pimentel e Patrus Ananias e a disposição do PT estadual de empurrar para o fim de maio a definição do candidato da base aliada no Estado, os peemedebistas resolveram "tocar" a pré-campanha de Hélio Costa e ensaiam um acordo com o PDT, cortejando a legenda com uma possível vaga de vice na chapa.

 

Nos bastidores, já se fala nos nomes do deputado federal Mário Heringer e o deputado estadual Zezé Perrella - que é presidente do Cruzeiro - para o posto. As conversas avançam também com o PR, que tem como pré-candidato ao Senado o ex-vice-governador Clésio Andrade, presidente regional do partido.

 

Apesar do apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por um palanque único em Minas para a presidenciável Dilma Rousseff, os peemedebistas desconfiam que a estratégia do PT mineiro é jogar com o tempo e tentar "desidratar" a pré-candidatura de Costa, que até então lidera as pesquisas de intenção de voto.

"A preferência até o momento é do PT, mas temos de fechar a chapa. A conversa com o PDT tem sido muito boa. Estamos aparando arestas para o partido vir inteiro conosco", observou ontem (26) o presidente estadual do PMDB, deputado Antônio Andrade.

 

No próximo domingo, 2, serão realizadas as prévias para a escolha do nome petista, mas o presidente do PT-MG, deputado Reginaldo Lopes, reitera que o vencedor ainda terá de ser submetido à aprovação no encontro estadual, marcado para os dias 21, 22 e 23 de maio.

 

Por um entendimento prévio, caso Costa seja mesmo o cabeça de chapa, a vaga de vice ficaria com um petista - o nome mais falado é o do deputado Virgílio Guimarães - e o vencedor das prévias seria indicado para o Senado. Recentemente, durante um jantar em Brasília, as cúpulas nacionais do PT e PMDB estabeleceram o dia 9 de maio como prazo final para o anúncio do candidato em Minas. Mas o PT estadual, comandado por aliados de Pimentel, reagiu com irritação e não endossou o acordo.

 

Agora, o PMDB fala em não impor mais prazo para a definição. O objetivo é tentar estabelecer acordos no âmbito regional, deixando os petistas numa situação de isolamento. "Se fecharmos a composição de chapa com algum partido, não temos depois como voltar atrás", alertou Andrade. "Não é o PMDB que está dificultando".

 

Nesta segunda-feira, 26, após um almoço com representantes do PC do B, Costa voltou a fazer afagos aos pedetistas, afirmando que possui ótima interlocução com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e mantinha relações de amizades com o ex-governador Leonel Brizola. "Estamos fazendo um entendimento suprapartidário", destacou. "Nós estamos numa campanha eleitoral. Cada dia é importante".

 

Tendência

 

Em Minas, o PDT integra o governo estadual e também é cobiçado para compor uma aliança em torno do governador Antonio Anastasia, pré-candidato tucano. Essa é a tendência, segundo o secretário estadual para Assuntos da Reforma Agrária, Manoel Costa, presidente licenciado do partido. "Algumas pessoas (do PDT) estão levando a sério (as conversas com o PMDB), mas eu não estou levando a sério não".

 

Na composição com o PSDB, porém, os trabalhistas dificilmente teriam lugar de destaque na chapa majoritária. A vaga de vice vem sendo disputada por PP e DEM e a aliança tem como pré-candidatos ao Senado nada menos que o ex-governador Aécio Neves (PSDB) e o ex-presidente Itamar Franco (PPS).

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