PMDB cresce e vira ''noiva'' mais cobiçada por governo e oposição

Independentemente do que escolher, partido terá poderio regional e espaço privilegiado no plano federal

Marcelo de Moraes, O Estadao de S.Paulo

27 de outubro de 2008 | 00h00

O PMDB termina as eleições municipais como o partido que conquistou o maior número de prefeituras (1.203) e vai administrar a maior quantidade de eleitores (28,8 milhões). Também empatou com o PT como o partido que mais venceu em capitais - seis. Mas as vitórias no segundo turno no Rio de Janeiro e em Salvador, Porto Alegre e Florianópolis colocam a legenda em situação ainda mais estratégica. Sem candidato próprio à sucessão presidencial em 2010, o PMDB sai consagrado da votação como a "noiva" favorita para governo e oposição, numa futura aliança para a corrida pelo Palácio do Planalto."O resultado foi ótimo para o partido. Em qualquer aliança, o PMDB terá um papel fundamental em 2010. Ele hoje representa o ponto de equilíbrio dentro da correlação de forças", afirma o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP).Se mantiver o acordo político com o governo federal e o PT, os dois partidos terão sob seu comando, a partir do próximo ano, 12 das 26 capitais. É um resultado ligeiramente superior ao de 2004, quando PT e PMDB juntos ficaram com 11 capitais.E como o PT vai precisar da aliança com o PMDB. O resultado das eleições mostra que o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi praticamente excluído das capitais das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, locais de maiores concentrações de população e riqueza do País. Com exceção de Vitória, onde venceu no primeiro turno, o PT levou capitais apenas no Norte e Nordeste.O perfil de cidades vencidas pelo PMDB complementa justamente essa lacuna no desempenho petista. Nessas mesmas regiões, os peemedebistas ganharam em duas capitais do Sul, duas do Centro-Oeste e uma do Sudeste. Além de vencerem em Salvador, a maior do Nordeste. O PT ainda amarga um sabor de derrota no segundo turno, uma vez que suas seis vitórias em capitais foram conseguidas no primeiro turno. Nos confrontos de ontem, petistas perderam todas as capitais que disputaram, sendo batidos em São Paulo, Porto Alegre e Salvador.As eleições também produziram um resultado favorável aos partidos da base governista, embora tenham havido dissidências de aliados em potencial. Apesar de o PMDB ser alinhado ao governo, em Porto Alegre a reeleição de José Fogaça representa vitória da oposição. O mesmo ocorre em Natal, onde a eleição de Micarla Souza também desagrada ao governo, apesar de ela ser filiada ao PV, legenda da base. Além disso, a vitória de Márcio Lacerda, do PSB, em Belo Horizonte, é neutra politicamente, uma vez que ele foi apoiado pelo governador de Minas Gerais, o tucano Aécio Neves, e pelo prefeito petista Fernando Pimentel.Assim, o bolo de prefeitos governistas soma 18 prefeituras, contra sete de oposição. Estão do lado do governo Manaus, Macapá, Salvador, Belém, Rio, Florianópolis, Rio Branco, Maceió, Fortaleza, Recife, Porto Velho, Boa Vista, Aracaju, João Pessoa, Palmas, Goiânia, Campo Grande e Vitória.Para a oposição, sobram sete capitais, mas incluem alguns dos maiores colégios eleitorais do País: São Paulo, Porto Alegre, Natal, Curitiba, Cuiabá, São Luís e Teresina. Nessa conta, o PSDB foi bem, controlando as quatro últimas, enquanto o DEM levou São Paulo.As outras vitórias da oposição são frutos de dissidências governistas, em Porto Alegre e Natal. Para a oposição, somar suas cidades à força do PMDB seria o ideal para uma caminhada à sucessão nacional.No caso específico do cenário político de 2010, o PMDB tem situação mais tranqüila. Em qualquer dos alinhamentos que decida fazer, produzirá o efeito de sempre: espaço privilegiado no governo federal e manutenção do poderio regional. O comportamento flexível do PMDB nos últimos anos facilita sua composição com qualquer dos lados que protagonizarão a próxima campanha presidencial. Nos últimos anos, mesmo com a mudança de comando do País, o PMDB não alterou sua posição de principal partido de sustentação do governo no Congresso. Foi assim com o tucano Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 2002, e com Lula.Em termos de número de prefeituras, os peemedebistas saltaram das 1.059 conquistadas em 2004 para 1.203 este ano. É bem mais do que o PSDB, o segundo partido em cidades ganhas, com 786. E mais que o dobro das prefeituras obtidas pelo PT, que conseguiu 554.O PMDB também qualificou suas vitórias. Venceu ou foi muito bem em várias das maiores cidades do Brasil, fazendo valer sua característica de ser uma poderosa federação de líderes regionais. Em 2010, terá sob seu comando capitais importantes, como Rio, Salvador, Porto Alegre, Florianópolis, Goiânia e Campo Grande, além da vice-prefeitura de São Paulo. Esse total de seis capitais também representa progresso. Quatro anos atrás, o PMDB tinha apenas duas (Goiânia e Campo Grande), ficando com um resultado inferior ao do PT, que venceu em nove capitais em 2004.

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