PMDB começa intervenção em diretório de SC

Em nota oficial, a direção do PMDB anunciou hoje que o processo de intervenção nacional no diretório de Santa Catarina está em curso. O objetivo é impedir que o horário da regional catarinense no programa eleitoral de televisão seja usado pelo adversário tucano José Serra. Na terça-feira passada, a comissão executiva reuniu-se em Brasília depois da estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo, e deu prazo de dois dias ao diretório de Santa Catarina para tentar mudar a decisão anunciada na véspera pelo presidente do PMDB local, Eduardo Pinho Moreira. O catarinense, que havia disputado eleições prévias contra o prefeito de Florianópolis, Dário Berger, para sair candidato ao governo, não só renunciou à candidatura como assumiu, informalmente, o posto de vice na chapa encabeçada pelo DEM do senador Raimundo Colombo.

CHRISTIANE SAMARCO, Agência Estado

17 de junho de 2010 | 19h45

A executiva nacional só não deu início ao processo de intervenção na terça-feira mesmo, porque a bancada catarinense argumentou que a decisão de Pinho Moreira foi unilateral e que o diretório estadual não fora consultado antes. Como o diretório se reuniu hoje e a situação permaneceu inalterada, a executiva nacional justificou a retomada do processo de intervenção com o argumento de que "não houve qualquer evolução do quadro político local".

A nota oficial do partido explicou que Pinho Moreira "insistiu em se reunir com o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e com a candidata Dilma Rousseff, com quem assumiu compromisso de apoio eleitoral em Santa Catarina". Ponderou, também, que este compromisso assumido pelo diretório catarinense "gerou atitudes do PT em Estados onde havia empecilhos à coligação", e que estas atitudes "criaram condições para que a aliança nacional com o PMDB fosse realizada". A assessoria de imprensa do partido encerra a nota oficial dizendo que "a Executiva Nacional se vê obrigada a assegurar que, no processo político, palavras e compromissos assumidos sejam cumpridos integralmente".

Como os catarinenses mantiveram a convocação de convenção estadual no dia 26, a executiva também baixou uma "norma acessória", determinando que a convenção de Santa Catarina deve ser realizada no dia 30. A partir de agora, Pinho Moreira tem o prazo legal de oito dias para apresentar a defesa em nome do diretório local. Amigo de Temer que acompanha cada passo da executiva nacional, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) diz que a situação é política e que a solução tem que ser política também. Segundo ele, o argumento "político" para a intervenção é o descumprimento do compromisso que Pinho Moreira assumiu com Temer e a candidata petista a presidente. "Não podemos começar uma aliança passando a imagem de pusilânimes", justifica Cunha.

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