PMDB coloca em risco apoio a PT em pleitos municipais

Insatisfeitos com as ações do PT Brasil afora, dirigentes do PMDB de vários Estados defenderam hoje que o partido dê prioridade a candidaturas próprias na disputas municipais de outubro. Até o governador do Paraná, Roberto Requião, que tem petistas no secretariado e considera o PT local um bom parceiro, impôs condições à tese da aliança preferencial com o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também defendida pelo Palácio do Planalto. Ao discursar para a platéia de governadores e dirigentes peemedebistas que participam do Conselho Político do partido, Requião avisou que a decisão do diretório paranaense está tomada. "A regra é esta: preferencialmente o PMDB lança candidato e, para que o PT ganhe nosso apoio em algum município, terá de nos apoiar em outro", resumiu. Requião advertiu que os peemedebistas só devem optar por uma parceria, "se ela convier e se houver reciprocidade dos aliados".A condição da reciprocidade levantada por Requião foi a senha para que o presidente do diretório do PMDB mineiro, deputado Fernando Diniz, abrisse a lista de queixas contra o PT. "O PMDB tem candidato à prefeitura de Belo Horizonte - o deputado Leonardo Quintão, sentado aqui a meu lado - e o PT, que não tem candidato, está apoiando um candidato do PSB", reclamou Diniz. Em seguida, o deputado observou que, "inusitadamente e com enorme chance de vitória", o PMDB fluminense está apoiando o PT, para completar: "Do jeito que as coisas estão, vou pedir ao Rio de Janeiro e ao (Orestes) Quércia para subtrair o apoio ao PT em São Paulo, porque é só para eles". Diniz foi aplaudido pela platéia quando disse que não consegue entender "o ato de covardia do PT contra o PMDB mineiro".Convidado pelo PT paulista a fazer uma aliança para eleger a ministra do Turismo, Marta Suplicy, prefeita da capital, Quércia disse que "não há nada definido e que a aliança tanto pode se concretizar, como não sair". Ele aguarda o retorno da ministra, que está em viagem oficial ao exterior, mas adianta que não tem interesse em ser vice de Marta. "A proposta dela é para indicarmos um vice", desconversou. Ato contínuo, o deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) declarou que "o Rio tem candidato a prefeito apoiado pela maioria da bancada", e adiantou que não abrirá mão de levar esta candidatura. "Não há candidatura imposta ao PMDB. Há um processo democrático em que meu nome já foi pré-colocado. Sou pré-candidato", insistiu. Diante das queixas, o presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), anunciou que fará nova reunião com presidentes regionais do partido na próxima semana, especialmente para discutir alianças e mapear os problemas e parcerias em cada Estado.

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