PMDB busca unidade para fechar com Lula nos próximos dias

A ala governista do PMDB aguarda para qualquer momento um chamado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para iniciar a conversa sobre participação do partido no governo. Como Lula exigiu a unidade do PMDB, para não ficar refém de um setor, os governistas estão se revezando em reuniões em busca de um consenso interno. A cúpula do PMDB quer fechar oficialmente o partido em torno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos 15 dias. Um dos principais objetivos é atrair o apoio do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), que apoiou a candidatura do tucano Geraldo Alckmin ao Planalto. Uma das idéias seria o deputado deixar o comando do PMDB e ser contemplado com uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que o ministro Sepúlveda Pertence deve se aposentar em abril. Além de Temer, outros alvos são o ex-governador Orestes Quércia e o PMDB gaúcho, liderado pelo deputado Eliseu Padilha. Esses setores precisam ter seu espaço garantido no governo, já que o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), que sempre se alinhou a esse grupo, já passou a apoiar o Planalto. Na avaliação de parlamentares governistas do PMDB, a nomeação do ex-ministro Nelson Jobim para um ministério poderia acomodar a ala gaúcha. A conversa formal de Lula com o PMDB ainda não aconteceu, mas a expectativa geral é de que se realizará nos próximos dias. O presidente, segundo seus interlocutores, pretende dar um espaço de peso ao PMDB, mas para isso quer saber com quem realmente poderá contar no Congresso para evitar problemas futuros. "O presidente quer ter paz para governar e não repetir os problemas políticos do primeiro mandato", disse um interlocutor do Planalto. Ao mesmo tempo em que os líderes governistas articulam o apoio do partido ao Planalto, o presidente Lula trabalha na conquista dos governadores eleitos. Em conversa com o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), recebido nesta terça em audiência, Lula disse que já escalou sua ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para viajar aos Estados e montar uma agenda de projetos urgentes com cada governador. A idéia é eleger as obras de infra-estrutura essenciais ao desenvolvimento de cada Estado e que estejam empacadas no Executivo federal, seja por falta de verbas, de vontade política ou simplesmente por conta do excesso de burocracia.Colaborou Christiane Samarco

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