PMDB apresenta 80 nomes para substituir ministro do Turismo

Peemedebistas se reúnem para preencher espaço, mas, sem consenso, colocam todos deputados à disposição de Dilma

Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2011 | 22h40

BRASÍLIA - Pela quinta vez em oito meses de governo, a presidente Dilma Rousseff demitiu um de seus ministros. O titular do Turismo, deputado federal Pedro Novais (MA), que fora levado até a Esplanada abençoado pelo PMDB, entregou sua carta de demissão por volta das 18h. No início da noite, as formalidades de praxe ainda transcorriam no gabinete presidencial, mas as facções internas do PMDB já haviam iniciado uma disputa pela vaga.

 

A quinta baixa na equipe ministerial abriu uma disputa na cúpula do PMDB, com o vice-presidente Michel Temer e o líder na Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (RN), protagonizando uma queda de braço para fazer o sucessor de Novais.

 

Sem acordo, o partido decidiu pôr à disposição de Dilma os nomes dos 80 deputados de sua bancada na Câmara, já que a vaga de Novais pertence aos parlamentares, conforme acordo firmado com o Planalto.

 

Alves gostaria de impor ao governo o nome do deputado Marcelo de Castro (PMDB-CE), que acabara de perder a liderança do governo no Congresso para o senador petista José Pimentel (CE), mas, diante das resistências do Palácio do Planalto, foi desaconselhado por Temer a fazê-lo. Até as 20h de quarta-feira, 15, o únco consenso obtido na bancada do PMDB foi o de que o novo ministro deverá ser qualquer um dos 80 deputados federais do partido. Foi esta solução que Temer levou à Dilma.

 

Na verdade, o preferido de Temer para o Turismo era o vice-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF) para Pessoas Jurídicas, Geddel Vieira Lima, apostando no bom relacionamento pessoal dele com a presidente Dilma, construído durante o governo Lula. Mas Temer também não queria perder a sintonia com a bancada peemedebista da Câmara, sobretudo em se tratando de um desafeto do governador petista da Bahia, Jaques Wagner, que já havia avisado ao Planalto que não gostaria de ver seu adversário no ministério. O confronto entre o líder e o vice-presidente da República começou logo cedo, com um telefonema de Temer à Dilma. Ainda em São Paulo, o próprio vice sinalizou à presidente que, diante do noticiaria dos últimos dois dias, não via mais ambiente para Novais continuar no ministério. Alves achava que ainda era possível ganhar tempo.

 

Dilma ficou aliviada com a percepção do vice, porque a avaliação de ambos é que as denúncias não parariam no caso da governanta do ministro custeada com verbas da Câmara, nem do uso indevido do carro oficial pela mulher de Novais. Temer acertou que voltaria a Brasília no meio da tarde para tratar da sucessão. Caberia ao líder Henrique negociar com Novais sua demissão, da melhor forma possível, desde que o desfecho fosse rápido.

 

Foi nesse cenário que Henrique Alves reuniu-se no meio da manhã com o colégio de vice-líderes do PMDB, arrancando de todos solidariedade ao ministro e, ao mesmo tempo, um critério para a escolha de seu substituto no Turismo: o indicado deveria ser detentor de mandato parlamentar e seu nome teria que passar pelo crivo da bancada.

 

O vice-líder Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) sabia da movimentação de Temer em favor de seu irmão Geddel, mas não se manifestou contra a exigência de o indicado ser parlamentar. Ao longo de todo o dia, PMDB e governo tentaram chegar a uma solução de consenso, mas não encontraram um nome.

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