PMDB adia para fevereiro discussão sobre cargos

Além de comunicar ao governo que não concorda com o novo valor de R$ 540 do salário mínimo, os peemedebistas decidiram hoje adiar as conversas sobre o preenchimento dos cargos do segundo escalão do governo. De acordo com o líder da bancada na Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), esse debate foi postergado para fevereiro, com a reabertura do ano legislativo, quando os parlamentares estiverem em Brasília. "Não é a melhor hora para tratar desse assunto", afirmou.

ANDREA JUBÉ VIANNA, Agência Estado

04 de janeiro de 2011 | 15h47

Em meio ao adiamento das negociações, o PMDB anunciou que não concorda com o reajuste do salário mínimo e que precisa ser "convencido pela equipe econômica" da impossibilidade de elevar o valor de R$ 540. Foi um recado do partido ao governo: se persistir a insatisfação dos peemedebistas com o espaço no segundo escalão, o partido pode não manter o apoio ao governo na votação da MP do salário mínimo.

Entretanto, o líder peemedebista disse esperar que haja amplo diálogo, respeito e entendimento entre o governo e a base aliada quando a discussão for reaberta. "Perdemos substância no governo, mas não vamos nos acotovelar em busca de mais espaço", declarou Alves, no final da reunião de líderes do partido, que se estendeu por mais de duas horas na residência do vice-presidente da República, Michel Temer.

As negociações que suspenderam, momentaneamente, as nomeações para o segundo escalão foram acertadas ontem com o governo federal, durante a primeira reunião da Coordenação Política no Palácio do Planalto, conduzida pela presidente Dilma Rousseff.

Chamado

A crise é tão aguda que o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), que descansava numa praia em Alagoas, foi chamado às pressas em Brasília para reforçar as conversas. Os peemedebistas não se conformam com a perda de cargos de relevância no segundo escalão, como as diretorias dos Correios e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e a Secretaria Nacional de Atenção à Saúde, que passaram ao comando do PT.

Porém, Alves descartou qualquer chance de recuo por parte do governo nas nomeações já efetivadas, que contrariaram os peemedebistas. "Bem feito ou mal feito, já foi feito", afirmou. Ainda existem dezenas de postos estratégicos em disputa, como as presidências de estatais do setor elétrico e da área de petróleo, como a recém criada Pré Sal Petróleo S/A.

Participaram da reunião na casa de Temer o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP); a governadora do Maranhão, Roseana Sarney; os líderes do PMDB na Câmara, Henrique Alves; no Senado, Renan Calheiros (AL); e o novo presidente do partido, senador Valdir Raupp (RO).

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