PM vai garantir vestibular da Federal do Rio

A Secretaria da Segurança Pública do Rio decidiu intervir e colocar a Polícia Militar (PM) para garantir a realização do vestibular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), cuja primeira prova está mantida para domingo por decisão da Justiça. Hoje o desembargador Arnaldo Esteves Lima, presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região suspendeu a liminar da 5ª Vara Federal do Rio que determinara o adiamento do concurso, para o qual há 56.016 inscritos.A União Nacional dos Estudantes informou que entraria com mandado de segurança requisitando a suspensão do vestibular, mas até as 19h não havia decisão judicial impedindo o concurso. Organizações estudantis e sindicais estão organizando um ato de protesto no campus da Ilha do Fundão e há quem defenda a formação de barreiras para tentar impedir a entrada de candidatos. Representantes dos estudantes, porém, garantem que o ato será pacífico."A decisão da Secretaria da Segurança de tomar providências foi automática", afirmou hoje o coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do Estado, coronel Jorge da Silva referindo-se à cassação da liminar que determinava o adiamento da prova. Segundo ele, as medidas de segurança ainda estão sendo discutidas, mas a segurança no campus do Fundão é prioritária.Hoje à tarde, o reitor José Henrique Vilhena divulgou nota em que disse estar "extremamente satisfeito" com a decisão da Justiça de "garantir o direito ao vestibular dos 56.016 candidatos, cumprindo assim o compromisso que havia assumido em 6 de junho, data da divulgação do edital". Na nota, o reitor manifestou sua "satisfação por ter podido manter o compromisso com as famílias dos jovens vestibulandos que se esforçaram o ano inteiro para garantir os estudos de seus filhos" e garantiu que a universidade tem condições de "garantir a segurança e a tranqüilidade" para a realização do concurso."Sou a favor do adiamento porque tem muita gente de colégio federal que está sem aula há mais de dois meses por causa da greve e não pode pagar um cursinho", diz Sílvia Monserat, de 18 anos, candidata ao curso de ciências sociais da UFRJ. "Esse Vilhena é um autoritário", afirma.Segundo Adriano Gomes, de 19 anos, que pretende cursar medicina, há grupos de estudantes se organizando para invadir as salas e rasgar as provas. "Com certeza vai ter confusão e quebradeira." Cerca de 30 estudantes de universidades e colégios federais fizeram hoje um protesto no centro contra a realização da prova no domingo.Em sua decisão, o presidente do TRF diz que a não realização das provas nas datas determinadas no edital do concurso poderia causar grandes prejuízos para os inscritos. "O adiamento das provas, já marcadas desde maio, a serem feitas em várias cidades, com elevado número de candidatos, com custos financeiros bem expressivos, com o envolvimento de inúmeras pessoas, sem prejuízo da participação de todos os inscritos, parece ser a mais ponderável, mais razoável, levando-se em conta inclusive, que a greve dos servidores, conforme notícias, terminou, fato superveniente, importante." Para o desembargador a normalidade e segurança para realização do vestibular da UFRJ "estarão garantidas pela postura de bom senso e equilíbrio de todos os participantes".Ele entendeu que alterações no edital, como a fixação de novo calendário, não podem ser deliberadas apenas pelo Conselho de Ensino de Graduação (CEG), devendo ser chanceladas pelo reitor - o conselho havia definido um novo calendário, com início das provas em janeiro. Hoje o CEG encaminhou documento ao Ministério da Educação solicitando "providências administrativas face ao não cumprimento pelo reitor da UFRJ de suas atribuições legais e regimentais". No documento, o CEG argumenta que cabe aos colegiados superiores "decidir sobre todos os aspectos relacionados ao ensino e pesquisa com a finalidade de garantir a autonomia didático-científica da universidade".O coordenador acadêmico do vestibular, Herli Menezes, informou que os cerca de cinco mil fiscais da prova do vestibular já estão pegando na comissão do concurso o kit de trabalho, contendo manual, credencial e camiseta. Segundo ele, os cerca de dois mil servidores da UFRJ cadastrados para o trabalho também estão retirando seus kits.

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