PM utiliza bombas para conter briga de grupos pró e anti-Lula

Ato em defesa do ex-presidente, em frente ao Fórum da Barra Funda, em SP, termina com enfrentamento entre petistas e manifestantes contrários ao líder do partido

Ricardo Galhardo e Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

18 de fevereiro de 2016 | 03h00

As manifestações contra e a favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira, 17, na frente do Fórum Criminal da Barra Funda, terminaram em pancadaria. A Polícia Militar usou bombas de gás e cassetetes para conter o tumulto. Pelo menos dois manifestantes ficaram feridos e tiveram atendimento médico. 

Cerca de 2 mil pessoas, segundo organizadores, foram à porta do Fórum prestar solidariedade a Lula, que deveria prestar depoimento no local. A maioria chegou em ônibus pagos por entidades que convocaram o ato. Eles levavam faixas em apoio ao petista e com críticas ao Ministério Público e à Polícia Federal e pediam a investigação da máfia da merenda que envolve tucanos paulistas. Integrantes da direção nacional do PT, sindicalistas, deputados estaduais, prefeitos, vereadores e deputados federais do PT se revezavam no carro de som.

Outros 200 manifestantes antipetistas também foram ao local protestar contra o ex-presidente. Muitos deles pediam intervenção militar. “Obrigado PM de São Paulo, heróis na luta por um país melhor”, dizia um a faixa. 

O Movimento Brasil Livre, que havia convocado a manifestação, cancelou a presença na última hora em função da suspensão do depoimento de Lula. O Vem Pra Rua, que liderou manifestações contra o governo Dilma Rousseff no ano passado, mandou apenas um representante. Dilma foi poupada.

Embora a Polícia Militar tenha delimitado com grades espaços para cada grupo, pequenos incidentes foram registrados durante toda a manhã. 

Manifestantes antipetistas hostilizavam apoiadores de Lula que passavam por perto e recebiam em troca gritos de “coxinha”. Por volta das 10h uma integrante da Central de Movimentos Populares (CMP, pró-Lula), identificada apenas como Fernanda, sofreu um corte na cabeça provocado por uma pedrada. Ela foi medicada no local e liberada em seguida.

Jornalistas foram hostilizados por manifestantes dos dois lados. Um homem que estava entre os antipetistas foi retirado depois de distribuir chutes e socos contra repórteres e fotógrafos que cobriam o evento. 

Os xingamentos de parte a parte continuaram por toda a manhã. Em alguns momentos, grupos mais exaltados ameaçavam entrar em confronto, mas eram contidos pela PM.

O principal motivo de discórdia foi o Pixuleco, boneco inflável que mostra Lula vestido como presidiário. O grupo Revoltados On Line, anti-PT, ameaçava inflar o boneco na porta do fórum. Lulistas diziam que iriam furar o Pixuleco e chegaram a avisar a PM. 

“Temos acordo em tudo, menos se levantar o Pixuleco. Já avisei a PM”, disse Raimundo Bonfim, da CMP.

Antes disso, quatro homens ligados aos movimentos pró-Lula que “vigiavam” o boneco foram retirados pela polícia do local reservado aos opositores. O coronel da PM Claudinei Pereira, que comandava o policiamento, argumentou que não poderia impedir a manifestação dos antipetistas, mas chegou a conversar com líderes do Revoltados On Line alegando riscos para a segurança. 

Por volta das 12h, quando integrantes dos dois lados já começavam a deixar o local, os antipetistas começaram a inflar o boneco Pixuleco. Integrantes de movimentos avançaram em direção ao boneco e a confusão começou. 

Policiais militares com bombas de gás, escudos e cassetetes conseguiram conter a primeira abordagem, afastar os manifestantes pró-Lula e fazer uma barreira em torno do boneco. 

Um integrante da CMP identificado como Fred levou um chute na cabeça quando estava caído e saiu carregado sangrando. 

A confusão só acabou por volta das 13h, quando um grupo pequeno de manifestantes pró-Lula conseguiu furar o bloqueio e fazer dois rasgos no Pixuleco. 

Marcello Reis, líder dos Revoltados, levou um soco no olho durante a confusão. Integrantes de movimentos sociais pró-Lula acusaram a PM de reprimir com violência o ato. 

“A PM evitou uma situação pior”, disse o coronel Pereira. 

A PM não calculou o número de manifestantes e informou que ninguém foi detido.

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