PM só entra em fazenda de Jader se diálogo fracassar

O comandante-geral da Polícia Militar do Pará, coronel Mauro Calandrine, afirmou hoje que a tropa de 200 homens só irá entrar na fazenda Chão de Estrelas, do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), para retirar os 2 mil sem-terra ligados ao MST, quando "todas as tentativas de diálogo e de retirada pacífica forem esgotadas".Ele disse que a retirada dos sem-terra não tem data para acontecer. "Dependerá das negociações que serão feitas envolvendo OAB, Ministério Público, Tribunal de Justiça, e os movimentos sociais ligados aos sem-terra e aos direitos humanos", disse o policial.Calandrine confirmou ter recebido da juíza de Aurora do Pará, Andréa Lopes Miralha, a requisição da força policial para retirar os invasores, mas reconhece a delicadeza da situação na fazenda do senador. "Uma operação dessa natureza precisa ser planejada em seus mínimos detalhes para evitar surpresas desagradáveis e violência", destacou o coronel. Segundo ele, o serviço de inteligência da PM está no local estudando o número de invasores, a geografia do terreno onde os acampamentos estão montados e como a tropa pode chegar lá no caso de se esgotarem as possibilidades de diálogo. "Nossa orientação é evitar qualquer tipo de atrito ou confronto, mas não deixaremos de cumprir a nossa missão", afirmou.O presidente do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), Ronaldo Barata, garantiu que as fazendas de Jader são produtivas, estão legalizadas perante os cartórios e foram tituladas pelo órgão. "O que o senador precisa fazer é o recadastramento no Incra", disse.Barata não acredita na possibilidade de as fazendas Chão Preto e Chão de Estrelas serem "griladas" do Estado, como garantem os líderes do MST que comandaram a invasão das propriedades. "O governo vendeu muitas terras a particulares nos anos 60 ao longo da Belém-Brasília e a maioria certamente está legalizada", acredita.Na superintendência do Incra em Belém estão registradas, como propriedades de Jader, as fazendas Chão Preto, com 4.342 hectares; Chão de Estrelas, com a mesma dimensão, e Paraíso do Norte II, com 1.362 hectares. As áreas foram registradas como patrimônio da Agropecuária Campo Maior. Essa empresa foi depois incorporada à Agropecuária Rio Branco, do senador, em 1996.

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