PM reforça efetivo para evitar conflito agrário no Paraná

O comandante do Policiamento do Interior do Paraná, coronel Antônio Amauri Ferreira de Lima, disse nesta quinta-feira que foi reforçado o efetivo policial nas proximidades da Fazenda Três Marias, em Manoel Ribas, a 375 quilômetros de Curitiba, na região central do Paraná, para evitar um confronto entre integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) e proprietários rurais.Os sem-terra estão ocupando a fazenda desde o dia 12. As proprietárias da área, de 980 alqueires, conseguiram mandado de reintegração de posse. O governo do Estado prefere conversar com os invasores, tentando uma saída pacífica.O presidente da Comissão Especial de Mediação das Questões da Terra, Padre Roque Zimmermann, disse que pretende ir à fazenda na próxima quarta-feira. Os ruralistas fecharam a estrada que dá acesso à fazenda, impedindo que os sem-terra entrem ou saiam da área. Nesta quinta-feira, os sem-terra reclamaram que precisavam ir à cidade para tratamento de saúde e comprar alimentos. O comandante do Policiamento do Interior disse que eles têm outra saída da propriedade, não se justificando a reclamação. "A situação continua tensa, mas a Polícia Militar está presente para evitar o confronto", afirmou.Segundo o coronel Amauri, o número de pessoas é bem inferior ao anunciado pelas duas partes: 500 fazendeiros e 400 famílias de sem-terra. Mas não soube precisar exatamente quantos são. O superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda, disse que o laudo de produtividade que está sendo apresentado pelas proprietárias da fazenda não tem mais validade.Ele é de 1998 e os laudos valem por apenas seis meses. Lacerda afirmou que também não há como fazer nova vistoria, pois é proibido por medida provisória, visto estar a área invadida. "Nós não temos o que fazer", lamentou. Lacerda disse entender tanto a posição dos sem-terra quanto a dos fazendeiros, mas pediu um entendimento. "Os sem-terra estão sem paciência, e os ruralistas ainda não conceberam a reforma agrária", afirmou.

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