PM prende 12 do MST por assaltos em rodovia do Pará

Capturado em Marabá, próximo de área invadida, grupo tinha nove espingardas, binóculo e revólver

Carlos Mendes e Mariangela Gallucci, O Estadao de S.Paulo

31 de março de 2009 | 00h00

A polícia de Marabá começou a interrogar ontem 12 agricultores ligados ao Movimento dos Sem-Terra (MST) presos no sábado, sob a acusação de assalto e porte ilegal de armas. De acordo com informações da polícia, eles estavam roubando motoristas na rodovia PA-150, no município de Eldorado dos Carajás, no sudeste paraense.A área fica nas proximidades da Fazenda Maria Bonita - invadida recentemente pelo MST. Ela pertence à Agropecuária Santa Bárbara, empresa do grupo do banqueiro Daniel Dantas. Em poder dos acusados, que confirmaram pertencer ao MST, policiais rodoviários apreenderam nove espingardas do tipo cartucheira, munição, um binóculo e um revólver calibre 38. De acordo com a polícia, os sem-terra paravam motoristas na estrada e, apontando suas armas, exigiam dinheiro e objetos de valor. Até o começo da noite de ontem, os dirigentes do MST não haviam se manifestado sobre as prisões.Não foram só militantes do MST que invadiram a fazenda do banqueiro. Lá também se encontram grupos da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará (Fetagri) e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf). Esses dois grupos afirmam que chegaram antes e não gostam da presença dos militantes do MST. Há um permanente clima de tensão entre os três grupos.O quadro é agravado pela presença de um quarto grupo, de grileiros. Ainda segundo os sem-terra, que preveem a desapropriação da fazenda, eles se instalaram em uma parte das terras e prometem resistir, tanto à ação dos outros invasores quanto da polícia.Funcionários da Santa Bárbara disseram ao Estado que o motivo das brigas entre MST, Fetraf, Fetagri e grileiros é a disputa pelas residências dos empregados da fazenda, expulsos do local desde fevereiro. O gado da propriedade, segundo comunicado da empresa, está sendo roubado, abatido e vendido.A Fazenda Maria Bonita não foi a única propriedade do banqueiro invadida na região. Em Marabá, o MST controla há duas semanas a entrada principal da Fazenda Espírito Santo, também vinculada à Agropecuária Santa Bárbara.No sábado, segundo informações dos administradores da fazenda, os sem-terra teriam roubado um caminhão, utilizando-o para o transporte das estacas de demarcação da propriedade, que estão sendo arrancadas. Os funcionários fizeram boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia de Marabá.PROTESTOEm Brasília, manifestantes do MST, com o apoio de centrais sindicais, protestaram ontem em frente à sede do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o que chamaram de tentativa de criminalização dos movimentos sociais no Brasil. Os manifestantes reclamaram especialmente do presidente do STF, Gilmar Mendes, que recentemente afirmou que é ilegítimo repassar dinheiro público para movimentos que promovem invasões de terras.Os manifestantes gritavam "fora Gilmar Mendes" e "trabalhador rural não é marginal". Também deram um abraço simbólico no edifício, cuja segurança foi reforçada com a presença de policiais militares.

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