PM pode despejar militantes sem-terra de hidrelétrica hoje

Depois de várias tentativas, oficial de Justiça de Estreito consegue entregar ordem de desocupação

Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

14 Março 2008 | 00h00

A Polícia Militar do Maranhão deve efetuar hoje o despejo dos militantes da Via Campesina e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) que ocupam desde terça-feira a principal via de acesso aos canteiros da obra da usina hidrelétrica de Estreito, na divisa entre Tocantins e Maranhão. Após várias tentativas frustradas, um oficial de Justiça de Estreito conseguiu localizar ontem os líderes da ocupação e entregar-lhes a ordem judicial para que deixem a área.A ordem de reintegração de posse foi expedida na terça-feira pelo juiz Gilmar Everton Vale, de Estreito. Se os acampados se recusarem a deixar a área, a PM vai intervir. A obra é uma das mais importantes em andamento no País, na área de energia elétrica, e faz parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). A usina deve começar a funcionar em 2010.Ontem pela madrugada, a ocupação foi engrossada com a chegada de um grupo de índios apinajés, que vivem na região. Durante o dia, líderes indígenas, da Via Campesina e do MAB reuniram-se com procuradores do Ministério Público Federal para apresentar suas reivindicações.Representantes do consórcio de empresas que constrói a usina foram convidados, mas não compareceram. Disseram que não negociam com invasores e que já existe uma decisão judicial a respeito do assunto.Por outro lado, o delegado de polícia de Estreito, Antonio Gomes Pereira, confirmou a prisão de um funcionário do consórcio, o técnico em transportes Luiz Carlos Silva. Segundo o delegado, na noite de terça-feira ele fez vários disparos contra os acampados, atingindo um deles na perna. "Não conseguimos localizar a arma, mas temos testemunhas e provas de que ele foi o autor", disse Silva.Além de manter o acampamento na usina, o MAB realizou ontem outras ações. De manhã, um grupo de manifestantes fez uma marcha pela Rodovia BR-428, em Pernambuco, para protestar contra a construção da Barragem de Riacho Seco, prevista no projeto da transposição do Rio São Francisco.À tarde, em Florianópolis, outro grupo reuniu-se na sede da Centrais Elétricas de Santa Catarina para reivindicar a aplicação da chamada tarifa social, que permite descontos de até 65% na conta de luz de famílias que consomem até 160 kw/h.Hoje, o MAB deve promover novas manifestações, para marcar o Dia Internacional de Luta Contra as Barragens.

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