PM já tem ordem da Justiça para desocupar Fazenda Caatinga

A Polícia Militar de Minas Gerais (PM-MG) recebeu nesta sexta-feira uma liminar de reintegração de posse da Fazenda Caatinga, em São Francisco, no Norte de Minas, invadida nesta semana por cerca de 200 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).Segundo o capitão Francisco Nunes, comandante do 30º Batalhão da PM, a ação, expedida pelo juiz Richardson Brant Xavier, foi repassada ao comando regional da corporação. Os militares de São Francisco receberam nesta sexta novas denúncias contra os invasores, que estariam sacrificando animais da propriedade.A fazenda pertence à Pontal Empreendimentos Agropecuários. O Sindicato Nacional dos Produtores Rurais (Sinapro), baseado em informações de assessores da empresa, acusa os sem-terra de estarem armados com metralhadoras e espingardas calibre 12, informação não confirmada pela PM.Segundo o presidente do sindicato, Narciso Rocha, desde a última invasão, na madrugada da quarta-feira passada ? quando 20 funcionários foram expulsos da fazenda -, dezenas de cabeças de gado da propriedade foram abatidas.Os trabalhadores rurais teriam ainda queimado barracões dos funcionários, mais de 10 mil quilos de sementes, 15 mil litros de óleo diesel, além de matar touros e éguas da raça Campolina.Rocha disse que encaminhou ao comando da PM na região um relato dos fatos e um pedido de prisão dos líderes da invasão, que ele classifica como ?criminosos?. ?Não existe pedido de prisão. Existe mandado de prisão, assinado por um juiz?, retrucou o major Fernando José de Oliveira Guimarães, assessor de comunicação organizacional da Terceira Região da PM, em Montes Claros (MG).O presidente do Sinapro acusa ainda os sem-terra de ameaçarem de morte o gerente da fazenda. Celito Carlos, da coordenação regional do Noroeste mineiro do MST, negou que os trabalhadores acampados na Fazenda Caatinga estejam armados e disse que a situação no local ?é tranqüila?.De acordo com o Instituto da Terra de Minas Gerais (Iter-MG), a orientação do governo estadual é que a liminar seja julgada pela Vara Agrária, sediada em Belo Horizonte. A PM deverá aguardar a decisão para agir. ?Essas questões fundiárias são extremamente complicadas. Não adianta quebrar o pau, o negócio é dialogar e dialogar?, afirmou o major Guimarães.?Ao que me consta, o governador Itamar Franco nunca demonstrou ser contundentemente contra as invasões de terra?, reclamou Rocha. ?Já houve vários crimes na propriedade, basta a PM ir ao local?, insistiu.

Agencia Estado,

06 de dezembro de 2002 | 19h26

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