PM barra ato de sem-terra na frente do Bandeirantes

Protestos do MST pela reforma agrária se espalham por 14 Estados

Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

14 de agosto de 2009 | 00h00

Integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) ocuparam ontem as sedes do Incra em São Paulo e em Recife e tentaram fazer uma manifestação em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, mas foram impedidos pela Polícia Militar. Não houve confrontos. As ações fazem parte do movimento organizado esta semana pelos sem-terra com intuito de pressionar o governo federal e os governos estaduais para agilizar os processos de desapropriação de terras. Os sem-terra já realizaram protesto em 14 Estados e permanecem em vigília no Incra em Brasília.Um dos principais líderes do MST, João Pedro Stedile afirmou ontem em São Paulo que o governo federal não tem honrado compromissos assumidos com os sem-terra. "É preciso que o governo honre seus compromissos e respeite a lei. O MST está sendo reacionário, quer que o governo cumpra a lei", afirmou.Os sem-terra querem o descontingenciamento de R$ 800 milhões do Incra para aplicação na desapropriação e obtenção de terras e ainda acelere o processo de assentamento das 110 mil famílias que vivem acampadas hoje no País.Em São Paulo, cerca de mil sem-terra estão acampados desde o dia 10 no ginásio do Pacaembu. Logo pela manhã, cerca de 200 pessoas seguiram para a sede do Incra. Os funcionários foram dispensados e a entrada e saída das pessoas era controlada pelo MST.Por volta das 10 horas um outro grupo de cerca de 500 sem-terra saiu com bandeiras vermelhas em direção ao Palácio dos Bandeirantes para tentar uma audiência com o governador José Serra (PSDB). Faltando um quilômetro para chegar no local, a polícia impediu que os manifestantes prosseguissem. "Entendemos que agilizar a reforma agrária é uma decisão política e por isso queríamos ser recebidos pelo governador. Consideramos abusiva a atitude de PM de impedir uma manifestação pacífica. Um governador eleito pelo povo tem que receber o povo", afirmou Kelli Maforte, uma das líderes do MST.Representantes do governo receberam das mãos dos líderes do MST uma pauta de reivindicações, mas não houve avanços, apenas ficou acertada uma nova reunião para o final do mês.

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