PM acusado em crime que envolve João Lyra é assassinado

Para polícia, pode ter sido queima de arquivo; Fininho e ex-sócio de Renan são suspeitos de assassinato em AL

02 de setembro de 2007 | 17h47

A morte do policial militar Emanoel Guilhermino da Silva na tarde do último sábado, 1º, pode ter sido queima de arquivo, a principal linha de investigação da polícia. Fininho, como era conhecido, foi executado com seis tiros na cabeça em Maceió após parar em um posto de gasolina para abastecer. Ele estava ao lado da mulher e dos dois filhos, que não se feriram. O PM era um dos acusados - junto com o ex-deputado federal João Lyra - de assassinar em 1996 Silvio Vianna, chefe da arrecadação tributária da Secretaria Estadual da Fazenda. O nome de Lyra voltou ao noticiário por conta de uma nova acusação contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O senador e o agora usineiro teriam usado "laranjas" na compra de duas emissoras de rádio em Alagoas.   O caso Silvio Vianna ficou conhecido nacionalmente por envolver o nome de Lyra, que, por ser deputado, tinha foro privilegiado e foi denunciado como mandante do crime no Supremo Tribunal Federal (STF), apenas em 2006. No mesmo ano, ele se candidatou ao governo do Estado e perdeu a eleição para Teotônio Vilela Filho (PSDB) devido a denúncias sobre seu envolvimento no episódio. Fininho foi denunciado como um dos executores de Silvio Vianna pelo ex-PM Garibalde Amorim. Garibalde foi condenado junto com o ex-tenente-coronel da PM Manoel Francisco Cavalcante: o primeiro como executor e o segundo como mandante.   Até o momento, a polícia não têm informações sobre a identificação dos criminosos, que usavam capacetes no momento do crime. Os tiros foram desferidos pelo carona da moto, dirigida por outro homem, também não identificado. Fininho estava no volante do carro, sua mulher ao lado e no banco de trás os dois filhos menores. O caso será investigado pela delegada Maria Aparecida, 3º Distrito Policial.   Versão sob suspeita   Na edição deste domingo, O Jornal, matutino mantido por Lyra e adquirido em "sociedade secreta" com Renan, de acordo com denúncia que envolve os dois, revela um depoimento do ex-coronel Cavalcante, dando uma nova versão para o caso Silvio Vianna. O ex-coronel já passou por vários presídios e atualmente cumpre pena pela morte de Vianna e outros crimes no presídio federal de Catanduvas (PR).   Segundo O Jornal, em depoimento aos juízes José Braga Neto, Rodolfo Osório Gatto Hermann e Antônio Dória Ferreira, que integram a 17ª Vara Criminal, o ex-coronel disse que o crime foi cometido pelos fiscais de renda Nobre e Emiliano. "Porque eles foram preteridos por Vianna, que inclusive dificultou a ida deles para o Conselho Fiscal Tributário", teria dito Cavalcante aos juízes em março deste ano.   Desde que denunciou Lyra ao STF, o juiz Marcelo Tadeu diz que está ameaçado de morte e já denunciou essa situação ao ministro da Justiça, Tarso Genro, a quem pediu garantias de vida e inclusão no serviço de proteção às pessoas que lutam pelos direitos humanos. Para Tadeu, o assassinato de PM Fininho, no sábado, é "queima de arquivo".   "Não se trata de um assassinato banal, de um PM morto a tiros quando passeava com a sua família. Foi queima de arquivo", afirmou Tadeu. Segundo ele, Fininho também era um dos envolvidos na morte do vigilante Ebson Vasconcelos, morto a tiros no Centro de Maceió, a mando de Cavalcante. Na época, o ex-coronel cumpria pena no Baldomero Cavalcanti, em Maceió, e comandava o crime pelo telefone público do presídio, segundo relato do juiz.

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