Plenário decide futuro de João Paulo

O resultado do processo de cassação do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que será votado no plenário da Câmara nesta quarta-feira, é uma incógnita mesmo para o mais informado dos parlamentares. Na Casa, ninguém quer apostar qual será o destino de João Paulo, a cassação ou a absolvição. O relator do processo de João Paulo no Conselho, deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS) se diz "cético" em relação à cassação. Schirmer mostrou certo desânimo ao falar da votação desta quarta. Apesar de seu relatório ter sido considerado devastador para João Paulo, o relator acha que boa parte dos deputados já não está dando importância para a opinião pública e muito menos para os relatórios do Conselho de Ética. "Estou bastante pessimista", afirmou. João Paulo é acusado de ter recebido R$ 50 mil de Marcos Valério e de ter mentido à CPI e ao Conselho. Na terça-feira, João Paulo circulava tranqüilamente pela Casa. Ao entrar no plenário, recebeu cumprimentos e apoio de vários deputados. Mas não quis comentar o processo. "Não dá para saber. Estou conversando muito, mas aqui as coisas mudam muito rápido. Não tenho como prever nada. O deputado afirmou que só vai comentar o processo depois da votação e que fará sua defesa no discurso. "Não será nada bombástico", garantiu. Na onda de absolvições patrocinada pelo plenário nas últimas semanas - apenas três deputados foram cassados enquanto sete já foram absolvidos - as chances de João Paulo escapar aumentaram. Logo depois da apresentação do relatório, parlamentares consideravam sua situação difícil. Mas, como ficou provado com as últimas absolvições, os parlamentares têm dado pouca importância ao que diz o Conselho. Conta a favor de João Paulo sua boa relação com os deputados, especialmente os do chamado baixo clero - parlamentares de pouca expressão -, conquistados na época em que era presidente da Câmara. Nas últimas semanas, o deputado têm se dedicado a conversar com todos os colegas que ele consegue encontrar, até aqueles claramente contrários a sua absolvição.Peixe grandeNo entanto, joga contra o deputado a imagem de que ele é um dos "peixes grandes" e pode ser cassado porque tem visibilidade, assim como os ex-deputados José Dirceu e Roberto Jefferson. "Vai ser uma briga feia. João Paulo é peixe grande, não dá para saber o resultado", disse o vice-líder do governo, Beto Albuquerque (PSB-RS). O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), aposta também na versão do "peixe grande". "Há um clima grande de tensão na casa. Não dá para prever o que pode acontecer, mas João Paulo é um dos caciques. E a reação do plenário tem sido mais violenta com os caciques", disse. Já o deputado Josias Gomes, que teve o relatório pedindo a sua cassação aprovado ontem pelo Conselho por 10 votos a um, parece apostar na sua absolvição no plenário. A sessão em que foi votado o relatório do deputado Mendes Thame (PSDB-SP) foi uma das mais rápidas do conselho.O próprio advogado do deputado, que teria 20 minutos para defendê-lo, usou apenas um para dizer que o "castigo era desproporcional ao crime". Gomes falou por cinco minutos. Disse que não sabia que o dinheiro era irregular. "Eu convivi com o Delúbio (Soares, ex-tesoureiro do PT) por 25 anos. Nunca imaginei que ele me colocaria numa situação dessas", disse. Ao terminar a sessão, disse o que espera do plenário: "Que eu seja absolvido como têm sido aquelas pessoas que foram induzidas ao erro".

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