Plebiscito para 3º mandato não é golpista, diz Pomar

Em artigo veiculado hoje no site do PT, o secretário de Relações Internacionais do partido, Valter Pomar, afirmou que a proposta de convocar um plebiscito para dar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o direito de disputar o terceiro mandato não é golpista."Chavista a proposta até parece", admitiu, numa referência ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que conseguiu emplacar projeto de reforma constitucional permitindo reeleições indefinidas. "Mas isto não é bom nem ruim em si mesmo, salvo para os inimigos fanáticos ou para os adoradores acríticos da experiência venezuelana", observou Pomar, candidato à presidência do PT.Apesar de defender o plebiscito sugerido pelo deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), Pomar afirma que o projeto do PT não pode depender apenas de Lula. "Se for isto, falemos francamente, estamos fritos", admite, ao classificar a idéia de "devaneio". Na sua avaliação, mudanças profundas são "facilmente derrotadas" quando ficam nas mãos de uma só pessoa.AutonomiaDepois de discorrer sobre a "relativa autonomia" do lulismo em relação ao petismo, o candidato da tendência "Articulação de Esquerda" diz que se o partido só dispuser de Lula como concorrente viável ao Palácio do Planalto, na eleição de 2010, seu trunfo se transformará num "limitador". "Podemos dizer, inclusive, que há uma disputa não só pelos rumos do governo Lula, mas também uma disputa pelo ''lulismo''", argumentou Pomar.Para o dirigente petista, a eleição de 2010 representará um teste para verificar o grau de autonomia do PT em relação a Lula. "Muito se especula sobre a força eleitoral respectiva, tanto do petismo quando do lulismo", escreveu. "Acontece que, para quantificar de modo preciso estas forças respectivas, seria preciso observar o PT sem Lula ou Lula sem o PT."Com a ressalva de que é necessário deslocar o governo e o País para a esquerda, Pomar termina o artigo dizendo defender um terceiro mandato. "Mas não um terceiro mandato para Lula. E sim um terceiro mandato para o PT, para o campo democrático-popular, para a esquerda."

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