''''Playboy'''' chega ao Congresso

Revista com fotos da jornalista Mônica Veloso bate recorde de vendas nas bancas

Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

10 de outubro de 2007 | 00h00

As duas bancas de jornal do Congresso registraram ontem um elevado quórum de anônimos servidores do Legislativo, encarregados de comprar a revista Playboy que trouxe na capa a jornalista Mônica Veloso, pivô da crise que envolve o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A banca principal, da chapelaria, na entrada do Congresso, vendeu 40 edições em quatro horas - o dobro da média mensal. Até o final da tarde, 150 dos 200 exemplares disponíveis já tinham sido vendidos."Foi um verdadeiro fuá. Nunca pensei que a chegada da revista da Mônica fosse gerar tanta curiosidade aqui", disse um dos funcionários da banca da chapelaria, José Erinaldo Silva Pereira, prevendo reabastecimento para os próximos dias. Pela manhã, suas excelências usaram laranjas para manter o decoro. Ninguém quis se expor, dizem funcionários das bancas da chapelaria e do Anexo 4. "Fica chato aparecerem aqui para fazer esse tipo de compra", analisou um deles.Mais tarde, sem constrangimento, os deputados pernambucanos Maurício Hands e Bruno Araújo, um petista e o outro tucano, ignoraram as divergências partidárias e deixaram-se fotografar com a revista. Eles, porém, foram a exceção. O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), por exemplo, ao se deparar com o plantão de fotógrafos e cinegrafistas, saiu de mãos abanando. Indagado se tinha visto a revista, o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), driblou: "O assunto é tão perigoso que nem na revista quero ver. Uma foto vendo a revista já dá uma pensão."Nos corredores do Congresso, no dia mais tenso desde o início da crise envolvendo Renan, o assunto foi um dos mais comentados. Nem quem estava no plenário do Senado, apesar da sessão tensa, deixou de espiar. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), como flagraram os fotógrafos, recorreu à internet para conferir os cliques.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.