Plano reposiciona efetivo das três Forças pelo País

Jobim quer ainda que empresas beneficiadas paguem por ?vigilância? feita pelas Forças Armadas

João Domingos e Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

Na Estratégia Nacional de Defesa anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil do futuro é desenhado como uma potência militar pacífica, mas em condições de reagir a qualquer momento e a qualquer ataque, venha de onde vier. De acordo com o plano, feito pelos ministros da Defesa, Nelson Jobim, e de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, o País fará pesquisas com a energia nuclear, de forma a dispor de sua própria tecnologia, e criará um parque industrial de defesa com regime jurídico e tributário diferenciado.O plano por si só é um arsenal de idéias e metas. Além disso, Jobim pretende acrescentar um ponto polêmico que ainda está em discussão no governo: cobrar de empresas públicas e privadas uma remuneração pelo serviço de "vigilância" que as Forças Armadas prestariam às instalações delas em áreas consideradas estratégicas. Enquadra-se nessa hipótese a Petrobrás, que possui plataformas marítimas protegidas pela Marinha.Pela primeira vez, será definido de forma bem clara o papel das Forças Armadas, que deverão ser organizadas sob o trinômio monitoramento/controle, mobilidade e presença. Para tanto, deverão ser fortalecidos três setores de importância estratégica: o espacial, o cibernético e o nuclear.Nos acordos de compra de aviões e material aeronáutico, o Brasil vai buscar sempre a transferência de tecnologia, para que depois de 2025 já possa planejar a fabricação de seus próprios caças e transformar os navios da Marinha em aeródromos capazes de receber aviões e pessoal do Exército.Ao mesmo tempo, o plano prevê o reposicionamento dos efetivos das três Forças, visto que as principais unidades do Exército estacionam no Sudeste e no Sul do Brasil, a esquadra da Marinha concentra-se na cidade do Rio e as instalações tecnológicas da Força Aérea estão quase todas localizadas em São José dos Campos, em São Paulo. A idéia é fazer com que atuem de forma integrada, tanto no território continental quanto nas bacias do Amazonas e Paraguai/Paraná, e no Oceano Atlântico, onde estão localizadas as plataformas da Petrobrás. No plano que traça a Estratégia Forças Armadas, há um grande espaço para a defesa da Amazônia. "O Brasil será vigilante na reafirmação incondicional de sua soberania sobre a Amazônia brasileira", diz o projeto. "Repudiará, pela prática de atos de desenvolvimento e de defesa, qualquer tentativa de tutela sobre as suas decisões a respeito de preservação, de desenvolvimento e de defesa da Amazônia." Diz ainda que não permitirá que organizações ou indivíduos sirvam de instrumentos para interesses estrangeiros - políticos ou econômicos - que queiram enfraquecer a soberania brasileira.

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