Plano global pode melhorar o acesso a vacinas

A falta de acesso da população mais pobre a vacinas básicas pode provocar novas epidemias, seja de doenças que já estavam controladas, seja de novas infecções. Em relatório divulgado no encontro Aliança Global para Vacinas, organismos internacionais defendem a criação de um plano que envolva governo, setores privados e sociedade civil para reparar as falhas existentes em vários países. Patrocinado pela Organização Mundial da Saúde, Unicef e Banco Mundial, o trabalho revela o quanto é diferente a cobertura vacinal entre populações residentes em países pobres e ricos. Enquanto os mais privilegiados são imunizados com vacinas mais seguras, caras, que contemplam grande número de doenças infantis (incluindo a vacina contra hepatite tipo B), metade das crianças dos países pobres não recebem sequer as vacinas de doenças como tuberculose, tétano ou coqueluche. "Precisamos agir rapidamente para que crianças e adultos de todos os países tenham acesso a vacinas que salvam vidas. De uma perspectiva global, essa é a única forma para evitar epidemias de novas ou velhas doenças", afirmou a diretora da OMS, Gro Harlem Brundtland. O presidente do Banco Central, James Wolfensohn, ressalta que a diferença nos programas de vacinação entre os países acentuou-se nos últimos anos. Além de provocar mortes desnecessárias, a baixa procura por vacinas em alguns países, principalmente africanos, acaba causando outro problema: o desinteresse no desenvolvimento de algumas pesquisas. A preocupação tem fundamento. Basta ver os rumos tomados pelas pesquisas para uma vacina contra a aids. Há perspectivas de que uma vacina possa surgir nos próximos dez anos. Mas apenas uma pesquisa sobre sua eficácia foi feita na África, continente que reúne cerca de 70% dos casos da doença. A vacina poderá ser benéfica para europeus ou americanos e não ser apropriada para os africanos. O relatório faz uma série de sugestões para atrair investimentos de pesquisa, produção e desenvolvimento de novas vacinas. Globalização - A diferença na cobertura vacinal entre os países faz com que alguns programas comecem a pensar não só em sua população, como também em seus visitantes. "É a história da doença globalizada: temos de traçar estratégias para evitar que um trabalho de anos possa ser comprometido com epidemias em outros países e a vinda de pessoas infectadas para cá", afirma a coordenadora do Programa Nacional de Imunização, Rosa Castália Ribeiro Soares. Com uma cobertura crescente - tanto no número de pessoas imunizadas, como na quantidade de vacinas - o Brasil fica de olho, também, em como andam os indicadores de países vizinhos. "Nas cidades de fronteira, procuramos reforçar a vacinação, colaborar com quem pede auxílio. Não podemos baixar a guarda", afirma Rosa. "Temos um programa bom, elogiado. Mas é preciso investir mais na pesquisa de novas vacinas aqui", defende o diretor da Biomanguinhos, Akira Homma. "Claro que não há como contemplar tudo. Mas certamente a população brasileira seria beneficiada com uma vacina nacional."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.