Wilton Junior/Estadão
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Plano do PMDB é avançar nas grandes cidades

Antes de tornar viável candidatura própria para 2018, partido tem o desafio de conquistar prefeituras de municípios com mais de 200 mil eleitores

Luciana Nunes Leal, RIO

26 de julho de 2015 | 05h00

O PMDB tenta fazer da candidatura própria em 2018 para presidente da República um fator de união do partido, em meio a divisões sobre apoiar ou romper com o governo Dilma Rousseff, mas terá um problema a resolver nas eleições municipais de 2016: chegar às grandes cidades. O partido só tem duas capitais, Rio, com Eduardo Paes, e Boa Vista. Em 2012, elegeu somente dez prefeitos nas 85 grandes cidades do País (26 capitais e 59 municípios com mais de 200 mil eleitores). 

Para o ano que vem, a legenda tenta montar estratégia a fim de chegar ao eleitorado dos grandes centros urbanos, com maior renda, escolaridade e mais sensível à mensagem de candidatos do que a máquinas partidárias. Ao mesmo tempo, não pode abrir mão da condição de partido com mais prefeituras do País. Em 2012, venceu em 1.022 cidades, onde vivem 31 milhões de pessoas. Naquele ano, o PT elegeu 637 prefeitos em municípios com 36 milhões de habitantes.

“Temos o maior número de prefeituras, mas, em função do peso delas, não sustenta a vitória de presidente da República. Temos que avançar em capitais, em São Paulo, no Rio, em Belo Horizonte. Vamos conversar sobre Salvador. Queremos formar uma força competitiva”, disse o ex-ministro da Aviação Civil e ex-governador do Rio Moreira Franco, presidente da Fundação Ulysses Guimarães, encarregada de fazer um banco de dados das administrações do PMDB. 

A maior vitrine do PMDB, por enquanto, é a administração de Paes no Rio, sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Paes é hoje o nome mais forte do partido para concorrer em 2018.

O PMDB fará em agosto pesquisa de intenção de voto em cidades com mais de 200 mil eleitores para detectar onde há candidatos viáveis e em busca de campeões de voto que possam ingressar na legenda. Aprovada na Câmara, a janela que permite mudança de partido antes da eleição ainda será votada no Senado. 

O ex-ministro crê no ingresso da senadora Marta Suplicy (sem partido), ex-prefeita de São Paulo que deixou o PT em abril e que também conversa com dirigentes do PSB. “Marta tem trânsito muito bom no PMDB do Senado, é liderança consolidada, tem predicados para ser cobiçada pelo PMDB.” 

Bahia. Em Salvador, o prefeito Antonio Carlos Magalhães Neto esteve próximo de deixar o DEM, voltou a se entender com o partido, mas o convite do PMDB está de pé. “A tendência do PMDB é manter a aliança com ACM Neto, que está avaliando se vem ou não para o partido. É uma questão pessoal”, disse o presidente do PMDB-BA, ex-ministro Geddel Vieira Lima. Ele diz que o partido quer ter candidatos no maior número possível de municípios da Bahia, mas não vê relação direta entre vitória nas grandes cidades e disputa presidencial. “O PT tem o prefeito de São Paulo, mas perdeu o rumo de casa nas eleições presidenciais.” Na capital paulista, Dilma teve 36,2% dos votos e o tucano Aécio Neves, 63,8%. 

Para Geddel, o importante é o partido deixar o mais rápido possível o governo Dilma. “Não adianta essa conversa mole de candidatura própria e vir com esse discurso fraco e equivocado de que temos que dar governabilidade a um governo sem projeto, sem rumo.” 

Presidente do PMDB no Rio, onde o partido tem o governo do Estado e a prefeitura da capital, Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa, diz que, para pôr em prática o plano de fortalecer grandes centros urbanos, “é preciso combinar com os russos”. Ele afirma ser preciso fazer alianças, o que implica, por vezes, em abrir mão de candidaturas próprias. Picciani negocia ampla coalizão em torno do PMDB para a sucessão de Paes. 

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