Plano de Temer é manter articulação sem 'balcão' de cargos

O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2015 | 02h03

 

BASTIDORES: Erich Decat

No desenho estudado por setores do PMDB próximos ao vice-presidente Michel Temer, um dos entendimentos considerados é o de que o peemedebista deve se afastar do "balcão de negociações" de cargos do governo e da distribuição de emendas parlamentares em meados de agosto, mas seguir na articulação política.

Esse afastamento de Temer ocorreria após se fecharem as negociações dos espaços do segundo e terceiro escalões em curso com os partidos da base aliada. Na análise de integrantes do Planalto, esse processo é "finito" e deve ser concluído até 15 de agosto.

Em relação a emendas parlamentares, o entendimento é o de que o poder de barganha com o Legislativo não está mais nas mãos da articulação política do governo, uma vez que a liberação dos recursos passou a ser obrigatória e o processo se concentra no Ministério da Fazenda. O recuo também é estratégico. Colocado em prática esse cenário de afastamento, o PMDB e Temer sairiam com as imagens fortalecidas, tendo por um lado cumprido os acordos com integrantes da base aliada e, por outro, garantido ao Planalto a aprovação das principais propostas do ajuste fiscal, discutidas até o início do recesso parlamentar, previsto para começar no próximo dia 18.

O estratagema surge no momento em que a presidente Dilma Rousseff tem registrado os piores índices de popularidade, abaixo dos dois dígitos. Ao deixar o "balcão", Temer continuaria na "macroarticulação" política, promovendo reuniões, encontros e jantares com lideranças da base aliada e servindo de ponte entre o Executivo e outros Poderes, como o Judiciário.

A possível mudança de papel, considerada para ser posta em prática em meados de agosto, coincide com a proximidade de julgamento do processo contra Dilma da chamada "pedalada fiscal", pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Uma condenação de Dilma na corte pode desencadear um processo cujo fim levaria Temer à Presidência.

Conforme revelou o Estado, a possibilidade de reprovação das contas do governo e o início de um processo de afastamento da petista foram tema de conversas entre integrante da Executiva Nacional do PMDB e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, discutiu-se a possibilidade de uma "aliança nacional" em torno de Temer, caso ele venha assumir o lugar de Dilma. FHC nega as conversas. A sondagem sobre a coalizão com o PSDB também chegou na última semana ao círculo mais próximo do vice-presidente. Temer, entretanto, segundo relatos, tem repudiado o tema.

 

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