Fabio Motta/AE
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Plano de Campos inverte papéis em PE

Possível candidatura do governador à Presidência aproxima do PSB seus rivais DEM e PMDB; já PT e PTB podem romper com ele no Estado; senador Armando Monteiro (PTB) pode disputar governo

Breno Pires, O Estado de S. Paulo

22 de julho de 2013 | 07h20

O projeto presidencial do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), pode promover uma inversão de papéis no tabuleiro político do Estado. Após o PSB pôr fim ao domínio de 12 anos do PT na Prefeitura do Recife, a possível ruptura de Campos com a presidente Dilma Rousseff aproxima o PSB do PMDB e do DEM – adversários em 2006 e 2010. Já os aliados PT e PTB podem virar oposição a Campos.

Após perder a disputa ao governo em 2010 por 585 mil votos contra 3,4 milhões, o ex-governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) começou a se aproximar de Campos no fim de 2011, quando o PSB deu os primeiros sinais de que romperia com o PT na capital. Campos lançou Geraldo Julio (PSB), eleito em 1.º turno.

Há duas semanas, o deputado federal Mendonça Filho (DEM), candidato ao governo derrotado em 2006, dividiu um palanque com Campos no município de Belo Jardim – dominado historicamente pela família Mendonça.

“Ele anunciou a continuidade de obras que iniciei e ele lançou uma escola que terá o nome do meu tio, Edson Moura. Mas não teve desdobramento político”, explicou Mendonça. Ele não descarta apoiar Campos. “Se ele for oposição ao PT, abre a possibilidade de apoio”, admite. Segundo o parlamentar, parte do DEM, no plano nacional, estaria ao lado do governador se ele marchasse contra Dilma.

Campos não tem um sucessor natural em Pernambuco, mas dificilmente abrirá mão de ter um candidato do PSB. Um dos nomes mais cotados hoje é o do vice-governador João Lyra Neto, que já sinalizou que deixará o PDT para ingressar no PSB em setembro. Também estão na lista Tadeu Alencar, já filiado ao partido e secretário da Casa Civil e procurador-geral do Estado no primeiro mandato de Campos, e Paulo Câmara, secretário da Fazenda, que ainda não é filiado ao PSB.

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, correligionário de Campos, estava entre as opções do governador, mas a relação entre os dois e outros dirigentes do PSB azedou com os rumores de que ele ia se filiar ao PT e disputar o governo com aval do partido.

Rebelião. O senador Armando Monteiro (PTB), ainda na base governista, trabalha por seu voo próprio. O nome dele apareceu em primeiro lugar em pesquisas divulgadas no Estado. “Se houver a precondição de que o candidato tem de ser do partido dele, o PSB, isso fere o espírito de aliança. O PTB considera que podemos legitimamente oferecer ao PSB e ao PT um nome que é nosso”, afirma Monteiro. O senador diz que pode apoiar um candidato indicado por Campos se os critérios forem “justos”. “Se parecer algo excludente, ou veto, vamos então ter um grau de liberdade.”

Se Campos concorrer ao Planalto, o PT terá duas alternativas: compor com Monteiro ou lançar candidatura própria. O senador Humberto Costa (PT) defende o nome do ex-prefeito e deputado João Paulo.

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