Plano B do Planalto é partir para negociações individuais

Caso conversa com PSDB fracasse, estratégia é tentar convencer tucanos e outros oposicionistas a apoiar imposto

Marcelo de Moraes, O Estadao de S.Paulo

03 de novembro de 2007 | 00h00

Se fracassar a negociação com o PSDB, o governo deve partir para negociações individuais com integrantes da bancada tucana e de outros partidos de oposição para tentar garantir os votos que faltam para aprovar a prorrogação da CPMF. Cálculos governistas indicam que o apoio de aproximadamente metade da bancada do PSDB (seis dos 13 senadores) será suficiente para conseguir que o projeto passe no Senado. Portanto, essa espécie de plano B seria adotada apenas no caso do fracasso da negociação institucional que vem sendo mantida com o PSDB.Na verdade, os líderes governistas e os integrantes da equipe econômica têm apostado na abertura do diálogo com o PSDB para conseguir uma negociação bem-sucedida. Enquanto os senadores do DEM não se mostraram dispostos a mudar de posição e apoiar a CPMF, integrantes da cúpula tucana aceitaram conversar com o governo. A preocupação governista, porém, é com o aumento da pressão interna do PSDB sobre esse grupo que abriu a interlocução em torno do assunto. O governo suspeita que o acordo poderá ser inviabilizado se essa pressão aumentar.Desde a semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já almoçou duas vezes com um grupo de senadores tucanos, formado pelo presidente do partido, Tasso Jereissati (CE), pelo líder da bancada, Arthur Virgílio (AM), e pelo futuro presidente da legenda Sérgio Guerra (PE). No primeiro encontro, há nove dias, tendo salmão como prato principal do almoço, os senadores chegaram a defender a extinção total da cobrança da CPMF. Na quarta-feira, novo almoço, dessa vez à base de espaguete, com o governo aceitando ceder em alguns pontos como a dedução da CPMF do Imposto de Renda de quem ganha até R$ 1.642 mensais.Para aprovar a CPMF, o governo precisará primeiro enfrentar uma votação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ), onde a relatora da matéria, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), vai apresentar parecer derrubando a cobrança. O governo sabe que tem votos suficientes para derrotar esse relatório na CCJ. A dificuldade, porém, será quando o texto chegar ao plenário do Senado. Por ser uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), necessita de três quintos de todos os votos (49 dos 81 possíveis) em dois turnos de votação. É nesse ponto que o governo admite que precisa de apoio de integrantes da oposição para atingir o quórum necessário. Por conta disso, mesmo que o PSDB desista da negociação oficial, o governo vai trabalhar para conseguir convencimentos individuais dos tucanos e captar os votos que necessita para que a matéria seja aceita pelo Senado.

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