Planilha indica doação ilegal de R$ 3,5 mi a candidatos

Em 26 cidades onde Home Care ?investiu?, 18 dos beneficiados se elegeram

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

Além de ser investigada por supostas doações ilegais para candidatos a prefeito em 26 cidades, a Home Care Medical Ltda. mapeou as eleições em outros 15 municípios nos quais ela tinha interesse de manter contratos para gerenciar a administração da saúde. Esse número consta de uma planilha apreendida na sede da empresa, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Na sexta-feira, o Estado revelou a existência da contabilidade em que constam "investimentos" de R$ 3,5 milhões em candidatos a prefeito, 18 deles foram eleitos. A planilha foi apreendida na sede da Home Care em Guarulhos, na Grande São Paulo, durante a Operação Parasitas, em 30 de outubro.As suspeitas de irregularidades nos contratos da Home Care com os municípios, no entanto, atingem cidades que não constam da planilha. Em Uberaba (MG), por exemplo, o contrato supostamente irregular para a prestação de serviços hospitalares levou a Justiça a determinar, no mês passado, a cassação do prefeito Anderson Adauto (PMDB), ex-ministro dos Transportes do governo Lula. Ele se diz vítima de perseguição.Iniciada em 2007, após denúncia levada à Corregedoria-Geral da Administração do governo de São Paulo, a investigação sobre os chamados parasitas levou cinco pessoas à prisão. Foram identificadas a existência de duas células da máfia: um delas fraudaria licitações em hospitais públicos e outra agiria nas prefeituras. Estima-se que o esquema tenha faturado R$ 100 milhões em dois anos.Mesmo após a descoberta das fraudes, as denúncias de irregularidades não pararam. Na sexta-feira, a Prefeitura de São Paulo suspendeu um pregão eletrônico depois de ter sido informada pelo Estado de uma carta recebida pela reportagem no dia 11. O texto adiantava parte do resultado de um pregão eletrônico para a compra de itens médicos que só seria realizado no dia 17. A carta original foi entregue ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e uma cópia registrada em cartório. A informação da denúncia era que de que o Pregão nº 444/2008 teve o edital dirigido para a Halex Istar, fabricante de produtos hospitalares. A empresa nega favorecimento e diz ter vencido porque ofereceu melhores produtos e preços.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.