Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Planalto viu operação no Senado com preocupação

O presidente Michel Temer e o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, fizeram questão de telefonar para o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL)

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2016 | 23h56

BRASÍLIA - O Palácio do Planalto viu com preocupação a ordem de busca e apreensão nas dependências do Senado com o objetivo de desmontar um esquema de “contrainteligência” que atuaria para blindar os senadores Fernando Collor (PTC-AL) e Gleisi Hoffmann (PT-PR), além dos ex-senadores  José Sarney (PMDB-AP) e Lobão Filho (PMDB-MA).

O presidente Michel Temer e o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, fizeram questão de telefonar para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que estava em Alagoas no momento da operação, nesta sexta-feira, 21. Renan não escondeu a contrariedade com declarações do titular da Justiça, Alexandre de Moraes, para quem servidores da Polícia do Senado “extrapolaram” sua competência e realizaram “uma série de atividades direcionadas à obstrução da Justiça”.

No Planalto, porém, a ordem é não comentar o assunto e muito menos a prisão do deputado cassado Eduardo Cunha  (PMDB-RJ), na quarta-feira, 19, para não jogar o problema no “colo” do governo. Embora nos bastidores os rumores sejam de que Cunha tentará fechar acordo de delação premiada, podendo apontar o dedo para auxiliares de Temer e envolver o próprio presidente, em público o mantra é “vida que segue”.

Perguntado se concordava com a operação deflagrada nesta sexta-feira no Senado, Geddel afirmou que o governo nada tinha a ver com isso. Observou, no entanto, que “uma coisa dessas precisa ser muito bem explicada à sociedade” para evitar ruídos.

“Não se pode deixar de ter cautela quando um assunto pode ser interpretado como confronto entre instituições republicanas, especialmente neste momento em que vivemos”, insistiu Geddel. “É necessário que se cobre transparência para preservar a necessária independência entre os Poderes, mas com absoluto respeito, para que a democracia avance.”

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