Renato Mendes|Sigma Press
Renato Mendes|Sigma Press

Planalto vê 'objetivo de esquentar o impeachment' em operação contra Lula

'Nada é coincidência', afirmam auxiliares do governo

Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

04 de março de 2016 | 10h20

Brasília - A operação da Polícia Federal na casa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na manhã desta sexta-feira, 4, elevou a temperatura da crise ao grau máximo, deixando o Palácio do Planalto perplexo.

O mandado de condução coercitiva de Lula atinge o governo e o PT um dia depois do vazamento da delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS), na qual ele responsabiliza a presidente Dilma Rousseff e também o ex-presidente por intervir na Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobrás.

"Tudo isso tem o objetivo de esquentar a tese do impeachment", disse um auxiliar de Dilma ao Estado. "Nada é coincidência".

Na reunião do Diretório Nacional do PT ocorrida no Rio, na última sexta-feira, dirigentes do partido chegaram a xingar o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, hoje no comando da Advocacia-Geral da União. "Se ele aparecer aqui, a gente quebra no pau", disse um deles, a portas fechadas, segundo relatos obtidos pelo Estado.

Acusado por petistas de não controlar a Polícia Federal, Cardozo não foi à reunião do PT. Ele e Dilma também não apareceram na festa de aniversário dos 36 anos do partido, no sábado, quando Lula disse ter sido informado de que a PF quebraria o sigilo bancário, fiscal e telefônico dele e de sua família.

Nos bastidores, o comentário no PT é que Cardozo pediu demissão porque sabia da ação contra Lula. Ele nega e afirma que só é informado das ações da Polícia Federal no dia em que elas ocorrem. De qualquer forma, no último dia 22, quando o juiz Sérgio Moro decretou a prisão do marqueteiro João Santana, uma comissão de dez deputados do partido procurou o então ministro da Justiça.

Em tom duro, deputados cobraram dele providências sobre a ofensiva da Lava Jato contra Lula e pediram a abertura de inquérito para apurar denúncias envolvendo o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

"Você não vê que o Lula pode ser preso?", perguntou um dos deputados ao ministro do PT. "É um abuso atrás do outro da Polícia Federal e você não faz nada?"

Ao transmitir o cargo para o novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, nesta quinta-feira, Cardozo disse que muitas vezes, na vida pública, as virtudes atrapalham mais do que os defeitos. "Eu busquei cumprir o meu papel", afirmou ele. "Durmo tranquilo".

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