Planalto vê infiltração política em invasões

O governo está preocupado com a onda de invasões e avalia que há um novo ingrediente nos atos de violência praticados em assentamentos: infiltração política nos movimentos sociais para criar a imagem de desordem na administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Palácio do Planalto, Lula e ministros se dizem convencidos de que a luta, atualmente, não é só por terra e moradia. Nem mesmo a queda na taxa de juros livrou o governo da agenda negativa da qual virou refém nos últimos dias, com ocupações que se estendem do campo à cidade e os crescentes números do desemprego. O presidente do PT, José Genoino, admitiu que o governo enfrenta um período "muito difícil" na área econômica. Mais: pediu medidas de emergência para a retomada do crescimento e para enfrentar o desemprego. "Não podemos pensar que a simples queda na taxa de juros vá produzir automaticamente crescimento econômico, como cogumelos após a chuva", disse. Apesar das dificuldades, porém, ele acredita que o governo está preparado para fazer a travessia. "Esses problemas não nos amedrontam, pois quem está na chuva é para se molhar", observou. Na lista das medidas de emergência, o petista cita o estímulo para a área de construção civil e saneamento. Na agenda negativa, a violência também está tirando o sono do governo. "Os movimentos sociais sabem que a violência não ajuda os trabalhadores a resolver os problemas sociais nem a construir justiça", afirmou o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, fatia importante do Movimento dos Sem-Terra (MST) está em disputa de poder com Lula. "Querem virar um partido", afirmou ele, há cerca de 15 dias, em conversa reservada com empresários, em Lisboa. A Polícia Federal vem monitorando com especial atenção as últimas invasões. Assim como o ex-presidente Fernando Henrique achava que o PT de Lula inflava os movimentos sociais, o governo petista tem certeza de que grupos de extrema-esquerda e até delinqüentes patrocinam várias ocupações. "Não achamos que existe um complô contra o governo, mas não temos dúvidas de que há infiltração política aí", comentou um colaborador do presidente.

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