Planalto vê fim da linha para senador

Mesmo se não for cassado, Renan será pressionado pelo governo a deixar a presidência do Senado

João Domingos e Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2011 | 00h00

Brasília - Se escapar da cassação, Renan Calheiros (PMDB-AL) sofrerá pressão do Planalto e do PT para que deixe a presidência do Senado. Com outros dois processos e uma representação por quebra de decoro a persegui-lo, Renan não reúne mais, segundo avaliação de assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condições para conduzir o Senado. No Planalto, a preocupação é, assim, com o cenário pós-julgamento. Uma eventual salvação do fiel aliado poderá reforçar a insistência de Renan em permanecer no cargo, o que vai criar dificuldades para a votação de projetos de interesse do governo no Senado, como a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A renúncia de Renan à presidência é bem-vinda e começa a ser estimulada no Planalto. Na opinião desses auxiliares de Lula, Renan desgastou-se com senadores da oposição e até do governo ao longo do processo no Conselho de Ética. O problema de relacionamento poderia prejudicar a tramitação de matérias importantes. A prorrogação da CPMF e da Desvinculação das Receitas da União (DRU), por exemplo, tem de ser aprovada até o fim do ano. E a emenda constitucional que trata da prorrogação da CPMF e da DRU ainda está na comissão especial da Câmara. Terá de ser votada lá e por duas vezes no plenário, sempre com o apoio de no mínimo 308 deputados. No Senado, também passará por duas votações, com o voto de 49 senadores, no mínimo. Como o DEM é totalmente contrário à prorrogação da CPMF, na avaliação de integrantes do governo o partido fará de tudo para vincular uma eventual insistência de Renan em permanecer no cargo com a necessidade do governo de aprovar o imposto. Isso poderia ser fatal para Lula, que tem pressa em resolver logo a questão.Além do mais, uma eventual salvação de Renan não vai livrá-lo de outros escândalos, como o que vem sendo alimentado pelo usineiro João Lyra, inimigo declarado do presidente do Senado. Portanto, se Renan hoje está enfraquecido, deverá continuar do mesmo jeito pelos próximos meses. ALTERNATIVASCaso Renan renuncie, o PMDB prepara a candidatura do senador Gerson Camata (ES). O Planalto tem preferência por dois outros nomes, o do senador José Sarney (PMDB-AP), aliado de Lula, e do atual vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC). De acordo com o regimento interno do Senado, se Renan renunciar à presidência, deverá ser convocada nova eleição dentro de cinco dias úteis, o que torna muito curto o prazo para as negociações. O vice só é mantido no cargo quando faltarem menos de quatro meses para o fim do mandato. Renan foi eleito para presidir o Senado até fevereiro de 2009.

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