Planalto vê 'equação complexa' e não retaliará nenhum ministro tucano

Planalto vê 'equação complexa' e não retaliará nenhum ministro tucano

Propaganda do PSDB, veiculada na quinta-feira, 17, aumentou a pressão para o governo punir o partido; vídeo reconhece erros e faz críticas veladas ao governo Temer

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2017 | 20h30

BRASÍLIA - Apesar de reconhecer que a propaganda partidária do PSDB dá munição a outros partidos da base para pressionarem o presidente Michel Temer por uma mudança nos ministérios tucanos, interlocutores do presidente disseram nesta sexta-feira, 18, que o governo não vai retaliar os atuais ocupantes de cargos no primeiro escalão da Esplanada. Auxiliares do presidente disseram ainda que o "tiro no pé" que os tucanos deram ao levar a propaganda ao ar evidenciou ainda mais o racha no partido e que Temer não vai se meter em uma briga que não é sua.

Segundo fontes do Planalto, os ministros tucanos Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Bruno Araújo (Cidades) foram rápidos ao se manifestarem contra o programa e dizer que a peça não os representa. Além da postura, auxiliares de Temer lembram que os três atuaram nos bastidores para ajudar a derrubar a denuncia contra o presidente.

De acordo com um interlocutor do presidente, há uma equação complexa neste momento e Temer não tomará nenhuma posição radical como demitir algum dos ministros. Segundo essa fonte, é preciso antes de mais nada entender a situação política e suas complexidades para desenhar uma estratégia que evite ao máximo um racha ainda maior na base aliada. O ministro da Secretaria de Governo, Moreira Franco, também participou do encontro.

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No almoço, os tucanos mostraram ao presidente as reações de diversos outros parlamentares da legenda que foram contra a propaganda e destacaram que a postura do presidente interino no PSDB, Tasso Jereissatti, é a da minoria do partido.

Ontem à noite, os três ministros tucanos fizeram uma reunião e decidiram soltar comunicados públicos criticando o programa elaborado pelo presidente interino da legenda, senador Tasso Jerreissati. Hoje, eles pediram um encontro com o presidente que acabou abrindo o gabinete e ofereceu um almoço a Imbassahy e Aloysio. O ministro das Cidades, que vai representar o governo em um evento do Minha Casa, Minha Vida amanhã em Macapá, já estava fora de Brasília e não pode participar. A quarta ministra que ocupa cargo no primeiro escalão, Luislinda Valois (Direitos Humanos), não se pronunciou, mas auxiliares do Planalto lembram que ela tem um perfil técnico e mais distante da política.

Telefonema. Para salientar que o perfil de Temer é ponderado e não radical, um auxiliar destacou que o presidente conversou com Tasso por telefone. O senador ligou para Temer para explicar a peça e, segundo essa fonte, Temer ouviu as explicações e não fez nenhum tipo de cobrança. Fontes no Planalto lembram ainda que o presidente tem por postura atender até os que votam contra ele e que esse dialogo constante é praxe da política.

'Ridículo'. Apesar de tentar minimizar o desgaste causado pelo programa, a peça tucana causou irritação no Palácio do Planalto e também no PMDB, partido de Temer. A propaganda do PSDB foi considerada "ridícula" por dois dirigentes do partido que são próximos ao presidente.

Segundo um interlocutor de Temer, ao reconhecer erros os tucanos, além de darem munição a seus adversários na eleição do ano que vem, escancaram a crise vivida dentro partido. De acordo com essa fonte, o PSDB poderia aproveitar o momento "e parar de errar". 

 

 

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