Planalto trabalhou pela vitória de Chinaglia no PMDB

O governo jogou duro para que o PMDB fechasse em torno da candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) a presidente da Câmara. Além do ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, ter atuado como articulador informal da candidatura, o Planalto liberou emendas, prometeu cargos e até ministérios para convencer peemedebistas.A mudança foi apontada pelos que apóiam a reeleição de Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Em levantamento preliminar, eles perceberam que o movimento de liberação de emendas para deputados do PMDB cresceu às vésperas de o partido tomar posição sobre a disputa da Câmara. Um deputado da cúpula peemedebista teria obtido a liberação de uma emenda de bancada no valor de R$ 22 milhões.Outro sinal percebido foi o início de um leilão de cargos do segundo escalão para deputados peemedebistas. Ao grupo de Fernando Cunha foi prometida uma diretoria em Furnas Centrais Elétricas. A Fernando Diniz (MG), que ensaiava apoiar Aldo, o governo prometeu o direito de indicar o nome da diretoria financeira e comercial dos Correios. Além disso, houve sinalização de que ao PMDB seria oferecido ainda o Ministério da Agricultura, para o ruralista Waldemir Moka (PMDB-MS), e o Ministério dos Transportes, para o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz.Os defensores da candidatura de Aldo resistiram a acreditar que a mudança de curso do governo tinha a concordância do presidente Lula. Mas se convenceram em reunião segunda-feira à noite, em Brasília, entre Tarso e os presidentes dos partidos da base do governo.DiscursoPara espanto do PCdoB, do PDT e do PSB, Tarso assumiu posição favorável à candidatura de Chinaglia, embora no discurso tenha sempre ressalvado que buscava o consenso. Os presidentes do PCdoB, Renato Rabelo, e do PSB, Roberto Amaral, ainda lembraram ao ministro que Lula já teria revelado seu apoio a Aldo. Mas em seguida o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), observou que em nenhum momento o presidente deixou de reconhecer o direito do PT de ter candidato à presidência da Câmara.A ostensiva participação de Tarso foi decisiva. Para o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), era o sinal claro de que o acordo com o PT para um rodízio na presidência da Câmara teria o aval de Lula."Nós concluímos que o governo banca o Arlindo Chinaglia", observou o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS). "Se o Lula fosse realmente contra, o ministro Tarso Genro não estaria apoiando o mesmo candidato que o José Dirceu".Na terça-feira, Tarso negou que tenha trabalhado por Chinaglia. Disse que tanto ele como Aldo são seus candidatos e Lula não vai interferir na disputa. Também afirmou que não houve liberação de emendas para convencer peemedebistas a votarem em favor de Chinaglia. Colaborou Denise Madueño

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