Planalto trabalha para adiar apreciação de vetos no Congresso

Receio é de que derrubada dos vetos possa custar, conforme dados do governo, pelo menos R$ 127,8 bilhões até 2019

Ricardo Brito

21 de setembro de 2015 | 20h36

Brasília - O Palácio do Planalto decidiu trabalhar para adiar, mais uma vez, a sessão de apreciação de 32 vetos presidenciais prevista para as 19 horas desta terça-feira, 22. A estratégia foi definida na reunião da coordenação política do governo na manhã desta segunda, com a presença da presidente Dilma Rousseff, ministros e líderes governistas. O receio é de que a derrubada dos vetos possa custar, conforme dados do próprio governo, pelo menos R$ 127,8 bilhões até 2019.

Na reunião de hoje pela manhã, o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), sugeriu à presidente que mobilize a base para tentar adiar a sessão do Congresso. Interlocutores do governo decidiram deflagrar uma operação entre esta segunda e a terça para impedir que seja atingido o quorum para validar a sessão conjunta de deputados e senadores. A ação busca envolver parlamentares da base aliada no convencimento a seus pares.

"Nós deveríamos trabalhar para ter um tempo maior para votar esses vetos no Congresso. A coisa mais cautelosa seria adiar essa reunião do Congresso para que a gente tenha aí um sucesso", disse Delcídio. Para ele, é preciso ter muita cautela porque uma eventual derrubada dos vetos poderia ter impactos na política e na economia.

Para derrubar qualquer um dos vetos da pauta, são necessários o voto de pelo menos 257 deputados e 41 senadores conjuntamente. A estratégia do governo é tentar impedir a votação esvaziando o quorum da reunião ou até mesmo atuar para postergar ao máximo a reunião da Câmara ou do Senado de forma a impedir, regimentalmente, a realização da sessão do Congresso. 

Com o eventual adiamento da apreciação, o Congresso provavelmente realizará a votação após o retorno da presidente Dilma dos Estados Unidos, para onde viaja na quarta-feira para participar da assembleia geral da ONU. O retorno está previsto para terça-feira da semana que vem.

Durante a reunião da coordenação, Delcídio fez uma explanação aos presentes sobre a situação do apoio do governo no Senado, citando a situação de cada um dos senadores. Segundo ele, a Casa está dividida. No caso da Câmara, o líder do governo na Casa, José Guimarães (PT-CE), admitiu que a situação é mais difícil para o Planalto, ou seja, o risco de derrota é maior.

Caso a sessão do Congresso seja efetivamente realizada, um plano B do governo é tentar derrubar a votação pelo menos no Senado, Casa em que o governo dispõe de um apoio maior. No momento, Delcídio conversa com os recém-nomeados vice-líderes do governo na Casa para traçar a forma de atuação na sessão desta terça-feira.

"Não podemos nem pensar esses vetos serem derrubados porque aí seria o caos", disse Delcídio.

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