Planalto tenta ignorar ameaças do PMDB

O presidente Fernando Henrique Cardoso não esconde o seu desconforto com as recentes ameaças do PMDB, de que haverá uma crise de governabilidade no País caso Jader Barbalho (PA) não seja eleito presidente do Senado. Na semana passada, alguns caciques peemedebistas fizeram chegar ao presidente a informação de que não aceitariam a cumplicidade do Executivo em qualquer manobra para facilitar uma ação de última hora do PFL contra Jader. Mesmo assim, a ordem no Planalto é manter a neutralidade do governo. Segundo um ministro com bom trânsito no Planalto, o presidente decidiu ficar em silêncio sobre este assunto, para evitar aumentar a polêmica. A ordem também foi repassada para todos os ministros ligados diretamente a Fernando Henrique. O governo quer evitar que os partidos aliados usem politicamente o presidente na disputa política pelos comandos da Câmara e do Senado. "Não haverá nenhuma interferência do presidente Fernando Henrique e nem de integrantes do Palácio do Planalto nesta briga do Congresso", reforçou este ministro. A principal ameaça feita pelo PMDB é de que uma eventual derrota de Jader vai enfraquecer a posição dos governistas do partido, ampliando o espaço de oposicionistas dentro da legenda, com um possível retorno de Itamar Franco ao partido, ou um retorno à cena política do ex-governador paulista Orestes Quércia.

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