Planalto tenta evitar volta de Delúbio ao PT

Legenda adia votação do Código de Ética por causa do ex-tesoureiro e desafetos preveem que ele recuará

Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

30 de abril de 2009 | 00h00

O pedido de anistia do ex-tesoureiro Delúbio Soares deixou o PT tão atordoado que, para evitar dor de cabeça, o partido decidiu adiar mais uma vez a votação do Código de Ética. A nova cartilha, que pretende obrigar qualquer candidato do PT a renunciar ao sigilo fiscal, bancário e telefônico sempre que for alvo de denúncia, passaria pelo crivo do Diretório Nacional justamente no dia em que a volta de Delúbio entrará na pauta, em 8 de maio. Alertado para a saia-justa, o comando do PT empurrou o Código de Ética para o segundo semestre e manobra para impedir que a refiliação de Delúbio, expulso no rastro do escândalo do mensalão, em 2005, seja examinada naquele dia.Pela estratégia combinada na terça-feira, com o apoio do Palácio do Planalto, dois dirigentes do PT alegarão, na reunião do diretório, que o momento é inadequado para mexer nesse vespeiro. Os petistas escalados vão argumentar que o tema ressuscitará a crise do mensalão justamente na hora em que o PT enfrenta um quadro de vulnerabilidade, com rumores sobre troca de candidato à Presidência após a revelação de que a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, faz tratamento para combater um câncer linfático.TIRO NO PÉO presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a dizer, recentemente, que não é hora de discutir o retorno de Delúbio ao PT. Mais: afirmou que uma decisão assim seria um "tiro no pé" na campanha de Dilma. Se a maioria dos integrantes do diretório concordar com esse argumento, o pedido do ex-tesoureiro pode ser derrubado ali mesmo, antes da análise do mérito. A intenção é empurrar a votação final para as calendas, na tentativa de evitar mais desgaste num ano pré-eleitoral.Desafetos de Delúbio afirmam que, com esse sinal, ele acabará retirando o pedido do PT para se filiar ao PMDB. O roteiro traçado, porém, não é de fácil execução. Emissários que conversaram com Delúbio a pedido de Lula, há cerca de 15 dias, acharam que ele está irredutível. O ex-tesoureiro quer a reintegração às fileiras petistas para disputar uma vaga na Câmara, em 2010, por Goiás. Desde que foi expulso do PT, Delúbio está sem legenda. Pela lei, precisa ter filiação deferida por um partido ao menos um ano antes da eleição. O debate sobre o retorno do pivô do mensalão agitou a reunião da Executiva do PT, na terça-feira. Um dos dirigentes chegou a dizer que o PT será "massacrado" pela imprensa se aprovar o Código de Ética e, ao mesmo tempo, a volta de Delúbio. Pelo Código de Ética, "é terminantemente vedada a arrecadação de recursos de qualquer natureza sem a respectiva e obrigatória contabilização do arrecadado". A pena para a infração chega à expulsão do partido.

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