Planalto tenta evitar 'dia D' com votação de vetos presidenciais

Governo teme não ter votos suficientes para evitar nova derrota no Congresso, o que causaria impacto de R$ 127,8 bi nas contas

Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2015 | 22h44

Brasília - Diante do temor que o Congresso derrube os vetos que podem provocar impactos nas contas públicas de R$ 127,8 bilhões até 2019 e desande todo o ajuste fiscal proposto pelo Planalto, a presidente Dilma Rousseff tomou a dianteira nas negociações com os parlamentares e governadores e está trabalhando intensamente para impedir que esta "tragédia", como ela está chamando, aconteça. 

A única certeza do Planalto é que os vetos não podem ser votados nesta terça-feira, que está sendo considerado um "dia D". O governo fez as contas e constatou que ainda não tem votos suficientes para garantir a manutenção dos vetos, nem no Senado. Além disso, sabe que se a derrubada for apreciada nesta terça, pode perder e um único item poderá jogar pelo ralo todo esforço fiscal que está sendo feito. 

Na noite desta segunda, Dilma ia falar, mais uma vez, com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), com quem já havia conversado mais cedo, para apelar a ele para que não realize, que adie a sessão de apreciação dos vetos, agendada para as 19 horas desta terça-feira. O horário da votação é mais um complicador para a manobra que o governo quer fazer porque o quórum é alto.

O Planalto está convencido de que, com pelo menos mais uma semana de muitas conversas com todos os aliados e até com a oposição, seja possível reverter este quadro considerado negativo, neste momento. "Se votar amanhã (terça-feira), corremos o risco de perder", disse um interlocutor da presidente, ao ressaltar que nem mesmo entre os senadores, o governo têm maioria. 

O atraso no envio ao Congresso das medidas econômicas para cobrir o rombo do orçamento, como a reativação da CPMF, na verdade, não se deve a "ajustes técnicos", como estão alegando integrantes do governo. O Planalto e a Fazenda estão atrasando este envio para aguardar o que acontecerá nesta terça. Alguns estão chamando de "venda casada". 

A explicação é que, se houver derrubada de qualquer um dos vetos, criando despesas extras, as contas da equipe econômica ficarão furadas e o rombo não será mais coberto com o novo esforço fiscal. Com isso, todas as contas terão de ser refeitas. Assim, a ideia é jogar a votação para a semana que vem, pelo menos, para que o Planalto tente reverter os votos contrários e consiga que os vetos não sejam derrubados.

Por conta do tamanho desta preocupação, a presidente Dilma até deixou um pouco de lado, nesta segunda, as reformas ministerial e administrativa. Estava concentrada em convencer partidos, parlamentares, ministros e governadores, para que não haja votação nesta semana. Foram inúmeras reuniões, telefonemas, encontros reservados e delegações para que seus ministros procurem governadores oposicionistas como Geraldo Alckmin (PSDB), de São Paulo, e de Pernambuco (PSB), Paulo Câmara. Ela mesma poderá falar com eles, para pedir apoio à não derrubada dos vetos para que o País não se arrisque a perder o grau de investimento por outras agências, deteriorando mais ainda a situação econômica.

Dilma conversou com o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), "que está ajudando muito", segundo um dos interlocutores da presidente. Os ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e das Comunicações, Ricardo Berzoini, novo articulador do governo, estavam procurando também o vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), e até o senador tucano, José Serra para pedir ajuda.

Líderes. Na saída da reunião de Berzoini com os líderes dos partidos da base aliada no Planalto, na noite desta segunda, eles foram unânimes em defender a necessidade da manutenção dos vetos. "Ninguém quer tocar fogo na economia brasileira. Em condições normais não poderíamos derrubar, ainda mais na situação atual", declarou o líder José Guimarães (PT-CE). "Por isso, não há outro caminho a não ser a manutenção do veto", prosseguiu ele, ao destacar o esforço da presidente Dilma na busca pelo diálogo com as lideranças. 

Segundo ele, a reforma ministerial que virá da reforma administrativa "tem de servir à governabilidade". Para Guimarães, não é hora de os partidos ficarem disputando espaço na Esplanada dos Ministérios, deixando de lado os interesses do País."Todos precisam ter generosidade", emendou.

Já o líder do PSC, deputado Silvio Costa (PE) disse que os vetos têm de ser mantidos porque "não podemos correr o risco de ver o País quebrar". Para ele, se der quórum nesta terça-feira, "a gente corre o risco de começar a ter uma espécie de Grécia no Brasil e não podemos deixar que isso aconteça". E completou: "não é hora de rinha política, é de responsabilidade pública,pensar no País".

O líder do PSD, Rogério Rosso (DF), por sua vez, classificou a votação dos vetos, se ela ocorrer nesta terça-feira, como "amais difícil dos últimos tempos" e prometeu trabalhar para que ela seja adiada, para que não haja riscos. "O que está em jogo, não é derrubada de veto, é a situação econômica e política do País", avisou, ao sair da reunião de líderes com Berzoini, na noite desta segunda, no Planalto. 

Tudo o que sabemos sobre:
vetos presidenciaisdilma rousseff

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.