Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Planalto tenta acalmar convenção tucana

Nos bastidores, governo age para evitar que evento do PSDB, marcado para o dia 9, vire palco de atos contra o presidente Michel Temer

Vera Rosa, Thiago Faria, Tânia Monteiro e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2017 | 05h00

BRASÍLIA - O Planalto atua nos bastidores para evitar que a convenção do PSDB, marcada para o dia 9, seja transformada em palco de ataque ao presidente Michel Temer. Na tentativa de revestir o desembarque anunciado pelo governador Geraldo Alckmin como uma separação amigável, o Planalto espera que dois dos três ministros do PSDB deixem os cargos nos próximos dias, antes do encontro tucano.

A ideia é esvaziar o impacto político da convenção, que, dessa forma, não seria um marco do divórcio litigioso. Além disso, os governistas do PSDB lideram um movimento para que o partido feche questão sobre o apoio à reforma da Previdência, obrigando os seus deputados a votarem a favor da proposta.

Dos três ministros do PSDB, apenas o titular das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, permanecerá no governo, na “cota pessoal” de Temer. O chefe da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, deve ser substituído pelo deputado Carlos Marun (PMDB-MS) e Luislinda Valois, dos Direitos Humanos, também vai entregar o cargo.

“O PSDB não indicou os ministros. Quem indicou foi o presidente. Então, esse não é um assunto que diga respeito à convenção do partido. O PSDB vai romper com o governo com qual objetivo? Para fazer o quê?”, perguntou Aloysio. “Minha preocupação é não haver a dispersão das forças que estão agrupadas em torno de um projeto reformista”, completou.

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A “ala Jaburu” do PSDB, que frequenta a residência oficial de Temer, articula uma estratégia para que a convenção se concentre apenas na eleição de Alckmin como presidente do partido. “Colocar esse tema de rompimento agora na pauta é amesquinhar o PSDB”, disse o chanceler ao Estado. Aloysio participou ontem do início de um encontro da Executiva da sigla, mas em seguida foi chamado ao Planalto por Temer. 

Ironia. Depois de o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmar que “o PSDB não está mais na base do governo”, o chanceler disse, em tom de ironia, que o colega provavelmente conheceu uma ata “nunca vista” da reunião dos tucanos. “Se o Padilha tiver ata de alguma reunião da qual eu não tenha participado, gostaria de saber. Talvez eu tenha cochilado.”

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Temer vai conversar com Alckmin neste sábado, 2, em Limeira (SP), e espera acertar o roteiro da “saída negociada” do PSDB.

Na prática, os governistas tucanos fazem de tudo para que o partido não queime pontes com o Planalto e avaliam que Alckmin, pré-candidato à Presidência, só se viabilizará se tiver o apoio e o tempo de TV do PMDB na campanha. Temer está à procura de um concorrente para defender o seu legado em 2018 e quer reunir os aliados em uma frente de centro-direita.

Para o presidente interino do PSDB, Alberto Goldman, não há razão para que o partido aprove o desembarque oficial no dia 9. “Não coloquei na pauta da convenção esse debate.”

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A expectativa entre os tucanos, porém, é de que Alckmin use o encontro para reafirmar sua posição pelo fim do casamento com o PMDB, desta vez como presidente da legenda. “A hora em que o Alckmin subir (no palanque) ele vai dar uma orientação sobre isso”, disse o deputado Bonifácio Andrada (PSDB-MG), ligado ao senador Aécio Neves (MG). 

No Planalto, as últimas declarações de Alckmin foram definidas como “um grave erro político”. O que mais contrariou Temer foi o fato de o governador ter dito que, se dependesse dele, o PSDB nem teria entrado na equipe.

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