Planalto teme reação 'agressiva' de Cunha

Integrantes do núcleo político do governo avaliam que presidente da Câmara age com imprevisibilidade quando acuado

Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

15 de dezembro de 2015 | 14h24

São Paulo - O Palácio do Planalto avalia que a nova fase da Operação Lava Jato agrava ainda mais o delicado quadro político. Auxiliares da presidente Dilma Rousseff  estão apreensivos e temem uma reação “agressiva” do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que teve endereços vasculhados nesta manhã por agentes da Polícia Federal.

Segundo integrantes do núcleo político do governo, Cunha age com imprevisibilidade e já demonstrou que costuma reagir com agressividade às situações nas quais fica acuado. O exemplo mais evidente foi aceitar a abertura do processo de impeachment contra Dilma depois que o PT retirou apoio ao peemedebista no Conselho de Ética da Câmara. Embora avaliem que o arsenal de ferramentas de retaliação de Cunha diminuiu depois do pedido de impeachment, auxiliares da presidente acreditam que o peemedebista ainda tem cartas na manga contra o governo.

O governo prevê ainda um acirramento nas disputas interna pelo controle do PMDB devido ao fato de o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, aliado do governo e alvo de inquéritos da Lava Jato, ter escapado ileso da operação desta terça-feira e, com isso, ganhar fôlego na batalha pelo controle do partido.

Por outro lado, integrantes da cúpula do PT destacam que entre os alvos estão aliados importantes do governo no PMDB como Lobão, ligado ao ex-presidente José Sarney.

Além disso, o Planalto avalia que a amplitude da operação, que cumpriu mandatos contra 53 pessoas, entre eles dois ministros e um senador aliado (Edson Lobão, PMDB-MA), ajuda a difundir a ideia de corrupção generalizada tanto no governo quanto no Legislativo, o que pode dar combustível a novas manifestações pelo impeachment.

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